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24 de julho de 2007

Pocilga Literária

O ofício de trabalhar com tinta tem algo de porco. A proximidade com algo que mancha, borra... Sobretudo o escritor, que trabalha com o absurdo e a desgraça da condição humana, filtrando os detritos da sociedade. Tento melhorar o papel em branco, mas enquanto o faço, às vezes, sinto que estou fazendo somente gastar tinta e sujá-lo, mas continuo escrevendo; parece-me que lanço uma quantidade infinita de signos na página, cada um deles um argumento, cada palavra querendo discordar inutilmente do nada, do vazio do papel. A estúpida suposta pureza do branco entre linhas finas é dado, é o anfitrião, e o escritor é o visitante rude e agressivo que discute acaloradamente com ele, o primeiro é calado e ataráxico, argumenta apenas com seu silêncio sereno e pacífico, e o segundo é um ignorante falastrão que nunca quer ceder e que só acha que convence pela violência barulhenta das letras e dos fonemas, agride-o com tinta. Quando o redator se cansa e vê o que fez, percebe que só fez sujeira, um servicinho asqueroso e nojento, com seus garranchos ele embute na página com extremo exagero seus desconexos argumentos: pensamentos gordurosos e miudezas estéticas encobertos por uma fina película de incapacidade intestina. A página ainda assim contem mais branco do que tinta, o que o motiva a recomeçar. Carrega nas tintas. Literatura é uma porcaria, escreve bem quem melhor sabe encher lingüiça.

23 de julho de 2007

Onívorofertório

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a maçã na boca da carnificina
fazendo com tripas, coroação
boas intenções ao molho pardo
visceral é faltar três refeições ao dia
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pedo-fagismo lambe-dedos
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quem são essas pessoas que se alimentam de outras?
vamos comer fora, auto-flambado, mais um tibetano!
sobre as ruas roem as sobras
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barrigadas de sensaboria frugal
refém são de massas mero palativo
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... moralmente, onde a fome nos serve...
ao sugo siciliano o nosso prato mais caro nada
...quando expira, esteticamente, o banquete...
balas perdidas que não acham doces bárbaros
...a vingança gulosa, como se cruamente...
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é voraz como degusta o comensal
o mal passado é apenas o aperitivo
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filé mignon da crítica literária
à força de um es-quar-te-ja-men-to se desfaz a união?
hoje foi dia da carcaça, amanhã será do conservador!
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tele-culinária anti-coagulante
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ovelha podre ou maçã negra
fundamentos da violação carismática
a nossa veia democrática em sangria
nessa vida, desossei-o, mas há flores

18 de julho de 2007

Contra a Poesia

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Desde que me alfabetizei, leio; desde que soube como ler, escrevo; fazendo-o mais e mais, até artisticamente, desde então. Com isso - ser escritor - não consegui muita coisa na vida, pelo contrário... é um fardo pesado que carrego como karma, um destino trágico do qual não pude fugir; ainda por cima, tornar-me poeta somente trouxe-me revés e desdita, desgraças mesmo. Tornei-me uma pessoa pior, ao ponto de por vezes me perguntar se ainda sou digno de me intitular "pessoa", título que por si só já seria uma maldição, filosoficamente. Estou citando, não recitando.
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Algo como um sacerdócio que me marcou profunda e indelevelmente ao buscar ser um poeta experimental, levando uma vida experimental. Tudo o mais que existe, eu perdi. Posso me considerar o maior derrotado, perdedor, na medida em que fui extraviado da vida normal, morna e confortável, de toda a gente; sem deixar o convívio dessas gentes e de ser eu mesmo mortal. Carrego esse dom como um aleijão, um horrível terceiro braço que quando não está escrevendo serve para me mutilar; sou mais de um agora, mas esse outro ente terrível que também sou eu, eu carrego comigo para outro e um lado como irmão siamês que me dita o melhor da vida, e me interdita ao tentar desfrutar dela. E eu um dia QUIS tudo isso. Sou um iniciado, agora que tudo está terminado.
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Já não acredito em Deus ou no Diabo, além (ou aquém) do mal e do bem; se há outra forma de vida fora da Terra, é inteligente o bastante para não vir se perder por aqui; não tenho esperanças de revolução alguma que nos redima ou melhore o mundo, sendo mais do que um pessimista ou niilista, um cínico; entrei em um processo sem volta de transgredir quaisquer limites que me impunha antes a minha humanidade perdida. Como outros como eu, cruzei as portas da percepção, olhei de frente o cintilante conteúdo das latrinas; fui a autêntico ladrão de fogo e antena da raça; recebi a visita do anjo torto que me madou ser gauche na vida, experimentei em mim todos os venenos, fiz-me louco e vidente com um completo e racional desregramento de todos os sentidos; inalei perfumes de carcaças e cabeleiras; morri muitas mortes difíceis como partos sangrentos; viajei o mundo em busca de mim e perdi meu tempo procurando por mais lembranças. Morro pré-natal pois nasci póstumo. Tenho vários livros escritos que ninguém ainda pôde publicar. A Poesia é um tipo de monstro de vanguarda, defendei-vos dela vos fazendo gárgulas... ponde uma carranca na linha de frente do vosso analfabetismo poético. Olhai e não passeis!
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Não queirais ser poetas, vos vaticino o futuro e assim vos aconselho. Não busqueis ser mais profundos, toda Arte é completamente inútil. A Poesia não está nos livros, está na vida, não a reproduzais, gozai-a. Não queirais criar mais Beleza escrita, que tanto mal faz a quem a aprecia, que rapta e mantém cativos àqueles fetichistas que sem nenhuma ingenuidade a idolatram. Mantende-vos puros e afastados disso, é um perigo e vossa felicidade pode estar em risco. Sede simples, nascerdes humanos já foi algo demasiado complexo para uma única existência, a ataraxia deve ser o caminho mais certo para a felicidade. Não vos inflijais tal ônus; sabeis que vós não preciseis de nada disso, ainda que a própria Poesia vos diga ao pé do ouvido que precisa de vós. Eu vos admirei e invejei em segredo pelo que não sois. Estas palavras não querem formar uma peça artística, não são obra de ficção; não querem servir outros, apenas a vós mesmos... por amor de vós, deixai-as calar profundamente em vossos corações e tende em mente que podem ser um último aviso. Não vades por aí... hipócritas leitores!
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27 de junho de 2007

Espelho... espelho... nosso

Suma, de quaisquer raízes desista
Eis que falta-me o chão e me ufano
Já não é eco da maldição narcisista
A total ditadura do rosto humano
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Egóticos, voyeristas ignaros
São tudo que sempre evitei
Saí só para comprar cigarros
E foi que nunca mais voltei
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Tarde, eu mesmo já não me acredito
O poema é apenas isso que você leu
Leia melhor apenas se achou bonito
O acróstico parece ser para você e eu

26 de junho de 2007

Cor(ou)Ação

Paixão mesmo, das que apenas existem, a que sinto. E saudades. De tudo aquilo nosso. Sabes. Bocas, bravezas, brincadeiras, bravatas. Falamos gostoso, bem gostosinho... quase gozo. Supér mais que fluo... Vou. Soube de e por ti de istos e aquilos. Re-imagino. [T {(tê) são}]. Beber uns goles nos refazendo companhia. Juntos. Alugar ou não há? A ir, indo ainda. Divagandando. Vamos sim vadiar sim vamos sim viajar. Sertodo errrado. Vê nus... amar-te. No pequeno anel só cabe teu nome. Até não mais quero poder; quero até não poder mais. Você. É... transar é que é... bom... só contiguamente: a minha mente contigo. Amo. Por quê? Por que não? Exclamo? Interrogo! Rogo e clamo... por. Ruma o de sempre e como nunca, a cada e de todas as vezes por uma. Encontrar alguém assim na vida é se perder assim na vida de alguém. Ó... Eu aqui tenho um mal de amor e é muito longe o que sinto; bem aí!

25 de junho de 2007

Perfídiáfano

Eu vou te contar tudo o que está acontecendo.

Hoje quando acordei, a primeira coisa que fiz foi finalmente olhar umas fotos minhas de infância que estavam com a minha irmã, que as deixou comigo quando veio aqui. Eu ainda não as tinha visto. Em algumas delas estou naquela idade na qual não se pode saber se o bebê é menino ou menina, nem tampouco é possível reconhecer já muitos traços da aparência que tenho hoje. Pensei no que a tua avó me disse imediatamente após pensar aquilo. Uma das fotos trazia uma mulher meio de costas, com um bebê de colo, minha mãe e eu; mas também poderia ser a tua mãe e você. Agora penso que também poderia ser outra mãe com seu filho no passado e, você entenderá o porquê mais adiante, no futuro.

Um detalhe ao qual não dei muita importância na hora é que a minha mãe em algumas fotos parecia muito com uma das irmãs dela, uma que você conheceu; em outra foto ainda, meu pai parecia um tio irmão da minha mãe, cuja ex-mulher você conheceu também. Isto tem de certa forma conexão com o casamento.

Ao descer do quarto, antes de sair, minha mãe me contou que a minha prima (que você conheceu) vai se casar em dezembro do ano que vem, e que você e eu seríamos oportunamente convidados e, pensei comigo, provavelmente como padrinhos, novamente. Aqui eu já havia me dado conta que todos os fatos que ocorrem realmente guardam certa ligação entre si no tempo e no espaço, quase sobrenaturalmente... mas agora atordoado confesso que eu ainda não tinha uma real idéia do quanto. A minha vida assustadoramente faz parte de um esquema que eu julguei poder fingir ignorar, relacionado também com todo o trágico no mundo e os sentimentos que trago comigo desde criança, desde o ventre... ou desde (e até) onde? E o mais importante para mim: por quê?

Saí para procurar trabalho, um trabalho qualquer, com um único objetivo bem definido, e o pensamento intensamente voltado não para os mistérios da vida e as coisas inexplicáveis que acontecem no mundo, inclusive ruins. Mesmo conosco. Eu pensava em você e em como você estava pensando em mim. E era bom.

O dia passou rápido apesar de ter sido um tanto chato e desgastante. Imagino que o teu dia tenha passado bem devagar, que tenha feito muita coisa. É estranho?

Uns momentos daquelas horas andando pelas ruas estão me ocorrendo: de vez em quando, ao longo do dia, eu pensava em nomes, nomes de pessoas que conheço, bem próximas, no meu, nos dos amigos e amigas, no da família. Isto doía, sobretudo em alguns instantes em que o meu nome me ocorria.

Chegando em casa tive de agüentar da minha mãe uma conversa muito desgastante sobre deveres e responsabilidades, sobre comprometimento. Senti muita pressão, até porque ela usava argumentos com os quais, ela dizia, todos concordavam, sobretudo sobre mim e a minha atual condição; pior é que me falava sobre o eu que sempre fui, essencial, e um eu que eu deveria ser, ideal. Contava-me sobre coisas que ela, meu pai, minha irmã, meus amigos e até você pensavam sobre mim. Procurei não dar ouvidos, mas agora sei que algo disto entrou a ainda está em mim enquanto contra a minha vontade relembro.

Pensei muito em você, refugiando-me na idéia de nós dois juntos, felizes.

Então, você me telefonou, bem antes do que eu esperava. Nós nos falamos aquele tanto, que foi bem pouco; e o que falamos, bem estranho. É uma sensação que me tomava durante a ligação, não baseada nas palavras ditas, mas nas não ditas. A exceção poderia ter sido um momento em que eu ia dizer algo e não disse. Quer saber o que era? Logo mais adiante você finalmente saberá. Continue.

Saí pouco depois. Na rua, era como se tudo o que eu ouvisse começasse a fazer sentido quando interligado com as outras coisas, ou como se eu recomeçasse a perceber esses sentidos aos quais ainda não havia solucionado bem. Foi aí que vi o bebê no colo da mãe. Era como eu ou você, o rosto familiar e ao mesmo tempo indistinguível, também o da mãe, que atravessava apressada a rua.

Na viagem de volta, lembrei do sonho que tive a noite, e liguei os pontos:

Várias pessoas que conheço e conheci, algumas já mortas, e algumas que não reconheço (mas acho que não cheguei a conhecer ou ainda vou conhecer), caminhavam em minha direção, eram muitas e tinham uma aparência de que vinham para ajudar, apesar de causarem no fim tanta dor. Todas essas pessoas, cada uma delas, tinham no colo um bebê, o mesmo de antes, mesmo de sempre.

Cercaram-me como se me acolhessem e lembro-me de me sentir muito amparado.
Os bebês olhavam para mim como se estivem gostando de me ver, felizes até por isso embora não sorrissem de verdade, pareciam mais preocupados, o que me preocupou. Eu não acho que sabia que estava sonhando, acho que por isso foi tão real apesar de algo possivelmente impossível; talvez por isso nunca me lembre dos sonhos. Neste exato momento em que escrevo isto me vem a certeza de que é isso mesmo o que acontece, deve ser para eu não os interpretar como procuro fazer com o que vivo quando velo. Mas será que estou não estou dormindo agora? Parecia raciocinar como nunca enquanto sonhava; eu sei agora que sonhando vou a lugares e tempos, e são sempre o mesmo, onde e quando tudo acontece.

O que aconteceu foi que conheci aqueles bebês um a um e eram iguais na aparência, embora não exatamente a mesma pessoa. As pessoas que os traziam tinham cada uma um rosto diferente bem definido, mesmo as que eu não sabia ser; apesar disso, de sua aparência e, ao exato contrário dos bebês que traziam, pareciam ser a mesma pessoa, embora tivessem rostos de mulheres e de homens, jovens ou velhas. Eu percebia mais algum sentido oculto nisso, mas somente pude perceber o suficiente quando os bebês falaram pela primeira vez; todos o fizeram ao mesmo tempo, em uníssono, com suas vozes estridentes que agora mesmo parecem ainda ecoar na minha mente dizendo:

"Tem o coração seus motivos?
Eu e você não somos amados?
Por que nosso amor nos trai?"

Então agora eu sei o que muito daquilo quis dizer, no sonho e no resto do dia. Algumas pessoas para as quais minha mente se voltou hoje ao despertar eram traídos e outras traidores, e no sonho todas eram pessoas traídas que conheço. Entendi cada sensação deste dia, da minha vida toda, dos momentos com você e, sobretudo, àquilo que você disse e não disse ao telefone, todos os casamentos, inclusive o nosso. Talvez o bebê fosse eu mesmo, já que eu sonhava, mas podia ser cada possibilidade morta de você e eu trazermos à luz um novo ser. E por quê?

A pergunta que eles me fizeram já responde isto. Eu sei que você me traiu.

E assim o que acontece é que tudo se acaba, nada mais importando entre nós. Você fez o que fez, sem me contar nada do que está acontecendo. Não sei como, quando, com quem ou de que forma foi; se foi bom ou ruim, fácil ou difícil, se gostou ou não. Aconteceu, não há retorno. Sinto que foi hoje, talvez enquanto escrevo isto, agora. Você terá tido motivos que não sei responder. É impossível não te perguntar e é tudo o que nós ainda queremos saber, eu e o sonho que tive.
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Meu amor, por quê?
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15 de junho de 2007

A Necrofilia da Arte

Eu estive em Paris fazendo Arte

e visitei os cemitérios de Montmartre,
Montparnasse e Père Lachaise...

não morram de inveja!



Marcel Proust
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Jean-Baptiste Poquelin (Molière)
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Vaslav Nijinski
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Amedeo Modigliani

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Theóphile Gautier
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Jim Morrison

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Guillaume Apollinaire

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Gustave Doré

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Henri Beyle (Sthendal)

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François Truffaut

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Gérard de Nerval

. Frédéric Chopin
. Jean-Paul Sartre & Simone de Beauvoir
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Heinrich Heine
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Charles Baudelaire

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Honoré de Balzac

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Edgar Degas
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Émile Zola
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Jean De La Fontaine
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Oscar Wilde
. Julio Cortázar

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Soneto Velado

No início era a treva analfabeta
Superada já nasce a vanguarda futura
É passado o tempo da ampulheta
Jaz no mim dos centos tal literatura

Necrópole ou biotério?
Morra pela hipérbole!
Biotério ou necrópole?
Viva pelo cemitério!

Viuvez menos marmórea seria matar
Frieza mais letárgica será enterrar
Morbidez menos mortal seria profanar
Certeza mais incorpórea será ressuscitar
Palidez menos trágica seria assombrar
Beleza mais abismal será epitafiar

11 de junho de 2007

Europa, Uma Constatação


O meio fio me fia a fio
Andando sobre bolhas
Abandono a pele por onde passo
Caminho de bronze no zênite da vida
De colo até riso trip ululante
Flano pueril por entraves espiralados
Logram largados lugares alegres
A guia calçada me passeia

A minha paixão não tira férias:
É a falta que as figuras que me faltam fazem
Q: “Para que tanta perna, meu Deus?”
A: “Para teus olhos fatigados, com o Diabo!”
Ninfas com faunos sorriem em riso
Há efebos, bofes e suas fobias
Falo para xoxotas da saudade da língua
Com sofismas, sofreres e filosofias

Um reingresso ao impagável
Pois farra pois fiesta pois folie
O gênio que continua a florescer
Um som flameja rubro sobre tamancos
Baixa gastronomia sob bandeiras geriátricas
Hashish, shamon, belladonas
O vinho é da casa, novinho, saca?
Alfândegas barram pândegas
Toreio turistas, jovem viajor

Cartão postal com cartão de crédito
Ao inferno se vai de Porche®
Vespa® não águia e Puma® não lobo em Zooropa
A.D.I.D.A.S.®: All Day I Dream About Sex
Gitanes® e Galoises®, todos os teores
Você pode se enfrasquecer num Chanel® n° 5
O sorvete sem seguro que seguro sorve-te

Porto é uma ressaca sempre por recomeçar
Lisboa é mesmo um peso na memória
Madrid é uma puta que se deixa beijar
Barcelona é uma festa exclusiva para penetras
Paris é a luz que nunca brilha nas necrópoles
Veneza é um labirinto de fedores mascarados
Florença é o berço da divina decadência
Roma é um discípulo que não supera o mestre

Meninos acordeonistas me ninam
Da música de outrora quase muda na aurora
Pombas atentadas explodem-se por migalhas
Faceiras e zumbis ou fascistas e zombeteiras
Diz-me o busto no belvedere do parque:
“Interroga tuas respostas...”

Portugueses minuciosos não sem alguma nostalgia
Portuguesas irritadiças praticantes do pudor
Espanhóis cafonas de narizes amigáveis
Espanholas de conversas picantes e pouca leitura
Franceses orgulhosos com seus pães nos dentes
Francesas bacharéis em soberba sem bunda
Italianos de riso fácil e orelhas cabeludas
Italianas cansadas de moda e seios grandes

Há que ser tua Arquitetura
Tende à ação esta estação de trem
Jardinagem já nadir agem
Não ria das pessoas na hospedaria
Ria esta tua estatuária

Douro e Tejo quão duros e tesos
Manzanares sob manzaneros aires
Beijos obrigatórios entre Llobregat e Bèsos
Nova onda há no Sena de cinema
Livre no ar tanto no Arno como no Tibre
Carnevale que flui do Gran Canale

O Velho Mundo primaveril
Perpassam pasmas pelos mapas
Douro, Lisboa, Madrid, Cataluña
Île-de-France, Toscana, Veneto, Lazio

Reencandescismento do que é brasil
Ascende-se ao Alpha à torre ferrenha
Circuncisa-se impreciso o circo em pane
Catedrais para deuses de ouro e mármore
Hipócritas cruzes sob confiáveis pára-raios
Replica-me a máquina: salvando Europa...

Reporto velhas novidades
Coisa curiosa, feliz e boa
Freguês derradeiro bar selo na embriaguês
Mad ri eu de tudo aquilo
Pari surreal um aborto
Vê nessa miragem
Flor que me convença
Quero mais!

Memórias de alguns eus que ficam
Parolo com meus ancestrais na rua
Grafo fotos grifo fico fatográfico
Ninguém conhece o europeu que leio andando
Com as mões serve antes
Rebele eis ali que eres
Arborescente em floreio me planto folheando
Regurgita tão somente verborragias
Esta minha e nossa língua mordida
Não descrevo mas desescrevo assim

A dedurar boinas ruins de moles
Uns filmes que rodei que me mostram
Lusitanias, castelhices, merovinginadas, romanessências
Umas fotos que tirei que me revelam
Aporto, libo, medro, embarco, paro, venero, floreio, rumo
Uns versos que fiz que me declamam
A demolir ruína boas de durar

8 de junho de 2007

Eu não morri...

Voltei de viagem, vivo e inconfesso...
confesso que estou vivendo, até feliz!

14 de maio de 2007


Rien? je m' aime... mon non plus!

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Eu vim ser gauche um direito que me cabe

Nisso aqui estou mas não sou quem quis infelizmente...

Da outra metade distando tanto estarei inteiro?

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Eu fui quem não sei só sei que alguém sabe

Zoneei o que há entre pensar e sentir e estava ausente...

Viajo tão sozinho e perdido ou tão só estrangeiro?

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O amor me extraviou sendo algo de que me gabe

Uma atraente idéia sem volta já me espera no poente...

Saberão amanhã reconhecer o corpo passageiro?

12 de maio de 2007

soneto de longe

sei lá o que acontece nesse meu coração
uma vontade de morrer de tão feliz
procuro saber o quê de quem amo então
e sem uma notícia tiro ouro do nariz

não só há em cada rua e ponte e escada, parisienses
lógico sem me perder guio-me apaixonado e flano
sonho com menos covardia em outros continentes
se sabes de algo, cala, e não haverá nenhum dano

da vida sem filtro que trago eu fumo os sumos
dos sentimentos que espero, nem inverdade
da morte que urge em suma vejo novos rumos

da morte que escapo como da banalidade
do entrépido trago urgente, ufanos fumos
da vida em cuja busca achei a felicidade

27 de abril de 2007

20 de abril de 2007

DICOTOMIA

Ver o nosso mundo sem perspectiva
Ouvir o caos sem qualquer proporção
Esquecer com uma memória seletiva
Ignorar estas outras idades sem razão

Tantos ideais de amor em tempos de cólera
Quantas idéias de paz em tempos de guerra
Tanta a paz que o nosso amor demais tolera
Quanto amor mais para termos paz na Terra?

17 de abril de 2007

A Vinda do Parafuso



São Paulo num século XXI, sábado à noite d.C. Por que pizza? Por que não?

Telefonei, delivery portanto. Meia marguerita; meia portuguesa. E assim foi.

Já chegou... abra, abra... vamos comer! E na primeira mordida Deus criou a dor.

Derrepentemente em meio ao queijo derretido em frente; você não adivinha.

Todos me olhavam curiosos acerca do achado. Um cabelo? Não. Um parafuso!

Os comensais boquiabertos perderam a fome e pousaram seus pedaços nos pratos;

expressando as emoções súbitas de suas almas nas mais variadas interjeições.

O objeto tinha não menos que uns cinco centímetros, escuro e meio enferrujado,

diâmetro razoável; retirei-o ainda sujo de massa para o espanto da audiência.

Em meio ao incômodo que sentia nos dentes, ainda cheguei a rir-me da situação.

Aí depositei-o num guardanapo e repeti o movimento de discar para a pizzaria.

“Por favor, o gerente... quero fazer uma reclamação” disse eu à atendente. E então:

“Eu sou um cliente de vocês, servido em casa ou aí mesmo, há algum tempo;

Alguns instantes atrás recebi uma pizza com um ingrediente mais que indigesto.”

Um cabelo? Pior. Um pelo? (ele já tinha alguma experiência para essas situações)

Não, senhor... um parafuso! Tal e qual e tal descrevi-o. E ele: Mas que absurdo!

Pois não é? Veja o senhor que quase quebro um dente, podia mesmo tê-lo engolido...

Por acaso não estariam com a cozinha em reforma? Pagam bem o pizzaiolo?

Ele pode ter perdido um parafuso... ou terá sido o senhor? Não me dirá que é meu!

O senhor e eu concordaremos que não há nada de engraçado numa matéria jornalística s

obre isto causar no público o esperado demasiado riso, que logo se torna calúnia.

Oh, mas é claro... – ele parecia mesmo amedrontado – ...vou te enviar outra de imediato.

Sem custo algum, espero... Ah, sim, obviamente... Com a devolução do dinheiro até...

Ah, evidente, senhor... não se preocupe... não vai se repetir... por favor, desculpe-nos...

Eu agradeço pela atenção, senhor gerente. Afinal foi mais que tudo um belo susto.

Mas eu me esqueci de perguntar teu nome... É Henry James, senhor, para lhe servir.

14 de abril de 2007

Poemar

Águas profundas em versos superficiais
Enchente sublunar só um caos sem plural
Só lares vêem as visitas dos etéreos cais
Consoante o planeta terra a vista da nau
~
Mar ritmos rimam marulhos lógicos ecos espaciais
Terrena palavra que jazz submersa no temporal
Liquefeitos dominós dessas ondas iguais
~
Cara vela se há paga singular na linha horizontal
Navegas em voga de vagas nas fragas vogais
Ilude lúdico e diluído o idílico dilúvio dual

Mastigação (como o que sou)

Servido estando
como
o que mastigando
somo
...
Engulo
de giro engiro
emulo
em giro digiro
...
Uns cinco quilos já
maior do que eu
comensal sendo cá
aquilo que comeu

19 de março de 2007

Diminua o diâmetro do teu círculo social


Quem você pensa que conhece? Há algum tempo eu tinha muitos amigos.

A afirmação acima é tanto um paradoxo como uma falácia de raciocínio segundo recentemente aprendi já que, se eu "tinha" amigos, logo nunca os tive. Um amigo de verdade (o que é pleonasmo, além de redundância) seria para sempre, ao menos no meu mundo; será que estou sendo antiquado? Talvez hoje e daqui para frente a amizade não esteja mais na moda e eu esteja por fora... felizmente ainda tenho ótimos amigos tão demodés quanto eu, inclusive de muitos anos, que eu sei que estarão sempre comigo, uns bem próximos, outros nem tão freqüêntes mas com quem sei poder contar, outros que pelas circunstâncias estão longe no tempo e/ou no espaço, além daqueles que morreram cedo mas ainda assim sendo-o.

Esta merda toda é porque algumas pessoas que eu achava autênticas não foram verdadeiras, pois sequer eram de verdade; elas acharam que poderiam me deixar de fora... mas de quê? De seu círculo fechado de amizades em aberto? Eu não posso nem mesmo lamentar. "Amigos" de antigamente, façam-me um favor, ao menos mais uma vez finjam ainda serem reais ao incluir-me fora dessa. E, fora isto, antes que eu me esqueça:
"
Vocês podem todos entrar uns nos cus dos outros para ir à MERDA!!!

Quem sabe, sabe;

Quem não sabe, ensina;
Quem não sabe ensinar, ensina a ensinar;
Quem não sabe ensinar a ensinar, vira crítico.

11 de fevereiro de 2007

5 de fevereiro de 2007

Par ou Ímpar

Livro e luz
Queijo e goiabada
Música e audição
Porre e privada
Arroz com feijão
Dois sexos nus

28 de janeiro de 2007

Balada Paulistana

Caótica Sampa onde se acaba o samba
Que em meio a asfalto concreto fumaça
Tem um povo a se esgueirar
Chuva suja essa garoa mas ao menos lava a lava
Que expelem os poluídos corações
Aqueles que se abalam diante
Da discreta deselegância das meninas
Desviam o olhar das veias velhas bailarinas – cômico
Em meio ao caos armado de cimento amado
Tua violenta imagem e cotidiano
Reflete-se nas águas de teu rio mundano – trágico
O pródigo cidadão se encarrega
De destilar a cólera no próximo cidadão – verídico
Tua gente quase sempre nascida aqui
Aglomera-se em trens ônibus e afins
Em tuas praças ao relento vidas vãs lamentam
A vida que levam ou pela qual são levados
Escadarias pontes postes monumentos
Onde pobres podres diabos moribundam
Tantos quantos destes que abundam – de novo o caos
A falta que as coisas que te faltam faz
Faz menção direta a tua nação megalomaníaca
Elevados prédios passagens viadutos
Onde se vê e ouve-se o bairro e os centros
Nesses arredores vagamundam aqueles
Para os quais cartaz e poema dizem não haver vagas
Quem foi que disse “grande cidade”?
Uma cidade com grandes problemas ao certo
Vide o esgoto logo ali a céu aberto – é mesmo o caos
Assim é utópica a menor esperança
Mas nesta balada o poeta pode fazer-se criança
E a utopia ver no sorriso da moça da favela
Quando em fevereiro samba na passarela (pra TV)
No grito do varredor de rua desdentado
Quando de um perfeito golaço filmado (pro VT)
Até eu mau poeta vejo o não sentido
Chama-se lirismo isso que os compositores
Põe nas letras das canções sobre São Paulo
Meio triste melancólico sorumbático assim
Canto desde já por todos os cantos um canto
Que aprendi com a gente daqui
Uma canção sem palavras
Que serve de letra
Ao minuto de silêncio
Que compus pra ti

25/01

6 de janeiro de 2007

B's. A's.

duas moedas para o coletivo terraportar-me do aeromorto
polinizado pela daninha flor amarela que não se extingue
adentro a urbe à margem esquerda do rio de prata absorto
segundando os olhos e passos de minha Beatriz bilíngüe
...
ao imenso Obelisco perpendicular falo
esqueço de ouvir o olvido sonoro
é dezembro desde Julho ou Maio
bolivarianos, san-martinianos
velhas bandeiras sujas e rasgadas
azuis as águas e o céu não fora o barro e a fumaça
brancos monumentos e dias é claro
as paredes de pichadas não estão livres
...
carteado, truco ou aposta
quem te mata mate quente
nas gauchescas rodas
jardins nas praças nos parques
desde as quadriláteras esquinas
por uma cabeça e cinco quartos
cavalos circulam corridas
sem asas e sorte no jogo de azar
...
milanesas e empanadas
vinho e refrigerante e cerveja
cafés sol-guardados nas calçadas
restaurantes com postres sobre-a-mesa
...
tangos, milongas / / / / / Gardel, Piazzolla
ex-voto de minerva / / / / / bandoneon guitarra baixo
sem mais delongas / / / / / com punhal se degola
Perón e Eva / / / / / portenho coagulando gaúcho
...
os múltiplos centros e a unívoca periferia
peculiares as palavras chiam como chicotadas
espanhola língua de novo o mundo a nostalgia
ao caminhar diz-se que se faz o caminho
...
carteado o embaralho
anoitece as histórias
encaminham a estatuária
caudilhos, patrões, compadres
preto fumo o que pitam
de aço de ferro de lata
flor dos que duelam a faca
desde pampas desce
sobre patagônias sobe
preferível dizer Malvinas
nos pátios pertence-me o sol
mas é tua a avarandada a lua
...
nada como a morte para melhorar os vivos
revoluções de sete palmos de guerra
desterrados, mortos, desaparecidos
o tempo não revolve, resolve a terra
os mais ousados debaixo do rio ou no fundo do chão
a carne jamais vingada dos nativos
...
viro-me para o povo que se vira
mímicos e mendigos e mágicos
artistas da fome e da sede de se recriar
tocadores e trombadinhas e titereiros
volto-me para as ruazinhas barulhentas
a música em trânsito nos chingamentos
às carruagens aos táxis às biclicetas
no que me pesam no que me levam
...
ou branquitude criolada ou
che, maradona, che
a mão do deus rasga o romance do diado
amor mestiço ou ódio mulato
Martin Fierro ou Don Segundo Sombra
a arte da pena que a vida alonga
julistas e jorgeanos nas livrarias
entreabertas até antes tarde
nunca, nena, nunca
panela que manifesta a ação
sem-vergonha a Casa Rosada
aqui se pergunta “que sei eu?”
lunfardo contra a Real Acadêmia
surreal não é Xul é o Sul
...
na Recoleta em Puerto Madero em Palermo
essa adjetiva urbanidade de cor argentina nos lugares
em La Boca no Retiro no San Telmo
dessa cativa saudade que se imagina em bons ares

4 de janeiro de 2007

Mais um de mim a menos


depois de meu penúltimo meio-dia
onde a clara rua perde o mesmo nome
ali é o fim do apocalíptico terceiro verso
hoje a morte lateral das vagas sombras
diz-me que o nosso mundo acabará para mim
de me parar preparei-me para me deparar
elo, desde onde estive duelo até por onde vou, duo
vida que se finda estranhamente e sem rima
esse é sempre o labirinto múltiplo de passos
o que meus pés teceram desde a infância
um círculo que se fecha de acordo consigo no vício
já que o íntimo me troca por outro hospedeiro
depois de alçar seu vôo sem pássaro dentro

16 de dezembro de 2006

De epígrafes e epitáfios

Perguntas por mim?
Nunca nasci ou morrerei;
Eu estou e sou assim!
Aqui sempre continuarei.

10 de dezembro de 2006

Ordinal

1002ª noite árabe
366º dia do ano
361º grau do círculo
301º espartano
121º dia de sodomita
61º minuto da hora
61º segundo do minuto
51º estado estadunidense
33º dente
27º estado nacional
27ª letra do alfabeto
25ª hora do dia
21º dedo
21º cigarro do maço
13º signo zodiacal
13º mês do ano
13º apóstolo
13ª unidade da dúzia
11º mandamento cristão
11º conto decamerão
9º planeta
8º dia da semana
8º pecado capital
8ª cor do arco-íris
8ª nota musical
6º sentido humano
6ª função orgânica
6ª faculdade psíquica
5ª estação do ano
5º elemento natural
5º lado do quadrado
5º ponto cardeal
4º ângulo do triângulo
4º mundo
4º trópico
4ª pessoa da trindade
3ª guerra mundial
3º olho
3ª face da moeda
3ª moeda ao barqueiro
3ª orelha
3º círculo polar
3º pé
3ª página da folha
3ª mão
2º nascimento
2º coração
2º umbigo
2º órgão genital
2ª boca
2º ânus
2º centro do mundo
2ª lua
2º sol
2ª morte
1ª felicidade

9 de dezembro de 2006

Duchamp e/ou Arte

Um respeitável cidadão francês tentou destruir com marteladas a obra de arte de Marcel Duchamp, exatamente aquela mais conhecida e que mais contribuiu para a fama do autor. Trata-se do mictório feito de louça branca que Duchamp colocou dentro de um museu.
Marcel Duchamp é, antes de tudo, um iconoclasta. Durante todo o tempo dedicou-se a destruir conceitos e a negar o estabelecido, às vezes com ações espalhafatosas, buscando renovar a arte e as formas de pensar. Se Duchamp pode, o cidadão francês de 77 anos também julgou poder destruir conceitos e declarou que as marteladas eram apenas uma intervenção artística e que seu trabalho seria aprovado por Duchamp. É muito possível. O que Marcel Duchamp desejava dizer quando colocou o urinol no museu? Não desejava, decerto, estabelecer novas verdades e conceitos; desejava exatamente questionar a validade dos conceitos e colocar a possibilidade de haver arte em qualquer objeto, desde que assim seja considerado. ...Difícil estabelecer um limite a partir do qual chega-se ou ultrapassa-se o exagero. O fato é que Duchamp contribuiu para o infindável debate entre o que é e o que não é arte. O homem do martelo também pode ser considerado assim. Por que não? Ele já havia mijado na mesma peça em uma exposição anterior e isso mostra que alguma coisa o provocava no tal mictório. Acabou sendo preso mas é certo que muitos artistas considerados geniais e revolucionários foram também completamente incompreendidos.

Duchamp quis "... transformar todas as pequenas manifestações externas de energia, em excesso ou desperdiçadas, como por exemplo... o crescimento dos cabelos ou das unhas, a queda da urina ou das fezes, os movimentos impulsivos do medo, do assombro, do riso, a queda da lágrima, os gestos da mãos, o olhar frio, o ronco ao se dormir, a ejaculação, o vômito, o desmaio, etc".

13 de novembro de 2006

Princípios?

Admitir-se-ia, provisoriamente, como inquestionáveis
Em axioma postulado proposição ou teorema
No início de uma dedução naquele ou neste sistema
Não sendo deduzidos de quaisquer outros consideráveis
...
Realidade é um conceito psicológico
Que designa a acomodação a uma situação
Que a experiência já tenha demonstrado como preferível
Mediante a contenção do princípio do prazer
Que tende apenas à satisfação de um impulso
Incerteza ou indeterminação pois é
Impossível realizar qualquer medição
Numa partícula muito pequena
Sem afetar seu estado natural
...
O tempo gasto por um raio luminoso
Entre dois pontos quaisquer é o menor possível
Todos os pontos de uma onda
De energia no vácuo podem ser
Considerados como novas fontes de ondas
Que se expandem em todas as direções
Num intervalo de tempo
Proporcional à velocidade
A ação ou trabalho mínimo pretende
Que o trabalho realizado é sempre o menor
Possível quando há transferência de energia
...
A população tende a crescer
Em progressão geométrica
Enquanto a produção de alimentos
Tende a aumentar em progressão aritmética
Todas as pessoas nacionais ou estrangeiras
Domiciliadas ou não estão sujeitas
Às leis do país onde se encontram
Constitucionais os dispositivos jurídicos
Fundamentais que se encontram implícitos
Ou expressos na constituição segundo os quais
Se organiza a vida jurídica da nação
E se estruturam e funcionam os órgãos estatais
Numa família de conjuntos não-vazios
Pode-se escolher ao mesmo tempo um elemento
De cada conjunto e considerar o conjunto A
Que não podia pertencer a nenhuma categoria
Como constituído desses elementos
...
Dois elétrons
De um mesmo átomo
Não podem ter o mesmo
Conjunto de números quânticos
Ou seja o mesmo nível de energia
Num líquido incompressível em equilíbrio
A variação da pressão se transmite integralmente
Em todas as direções e a toda a massa líquida
Todo corpo mergulhado num líquido
Está sujeito a uma força denominada
Empuxo que atua de baixo para cima
E é igual ao peso do volume de líquido deslocado
Um corpo mais pesado que o ar se sustenta no espaço
O fluxo elétrico que passa através de uma superfície fechada
É proporcional à carga contida
No interior dessa superfície
A entropia de todos os corpos
Tende a zero quando a temperatura
Tende ao zero absoluto
...
A condição ideal
De equilíbrio a que tendem
Os diversos blocos da crosta terrestre
Cosmologicamente parte do princípio
Que o universo é homogêneo e isotrópico
Sem local ou direção privilegiada para observação
A complementaridade
É observar um fenômeno qualquer
De dois pontos de vista diferentes e não excludentes
O valor relativo de duas grandezas
Da mesma espécie é constante
Independentemente da unidade escolhida
Um sistema em equilíbrio reage
A uma perturbação de modo a neutralizá-la
E a restabelecer o equilíbrio
Os processos biológicos do passado
Ocorreram de maneira semelhante aos atuais
...
A base filosófica para a aceitação
De novas teorias requer que a teoria
Mais recente explique a fenomenologia
Para as quais então a precedente valia
Tão evidente em si mesmo que dispensaria
Mesmo qualquer hipótese de demonstração
O que só depois de demonstrado se admitiria

9 de novembro de 2006

Não Lugar

A Terra eu enterrei no espaço
A tempo de herdar outra nova moradia
O Eu meu desabrigado invadiu o que faço
O utópico latifúndio ermo da poesia
[
Imagino a viagem invejoso
Viajo a inveja imaginoso
Imagino a imagem viajoso
]
Em alongada elipse de lado a lado
Um ano trópico transo pensar
Em eremitério voluntário impensado
Um mundo tropical queria alugar
Em lugar ao contrário rotacionado
Um translado mundano a rodar e rodar
Em alado querer voar tropica trançado
Um eclíptico pensamento a me alongar

8 de novembro de 2006

Suicídio: modo de usar

Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: é o suicídio.
Julgar se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma questão
fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões,
se o espírito tem nove ou dez categorias, vem depois.
São apenas jogos: primeiro é necessário responder.
Albert Camus

Se queremos realmente morrer, não percamos tempo escolhendo um local. O hotel é um local absolutamente adequado. Não esquecer de reservar o quarto, pagar dois dias adiantados e prevenir a portaria de que não queremos ser incomodados durante esses dois dias... temos de estar seguros de, pelo menos, um dia de tranquilidade. Quanto mais tarde for a descoberta do corpo, menores serão as chances de reanimação. Devemos absorver, de preferência, uma refeição leve a fim de que o estômago não esteja nem vazio, o que o tornaria extremanente sensível à dose maciça de medicamentos, nem cheio demais. Para reduzir ainda mais os riscos de vômitos, podemos tomar um remédio contra enjôo logo depois da refeição e cerca de uma hora antes de absorver os medicamentos mortais. É prudente testar antes o efeito desse medicamento antienjôo. A ação sedativa deve ser muito forte, se quisermos continuar executando bem o restante das operações. As doses mortais são proporcionais à corpulência do indivíduo. É preciso também considerar a eventual tolerância ao produto. Se somos habitualmente tratados com barbitúricos ou com morfina, convém aumentar as doses recomendadas. Conservaremos os medicamentos num local fresco, por exemplo, na parte de baixo do refrigerador. A propósito, é bom observar a data de fabricação e o prazo de validade. Seria uma ingenuidade pensar que os produtos cuja data de validade estiver ultrapassada são mais tóxicos e, assim, mais eficazes. Eles podem ter perdido a eficiência imediata e ganhado "toxicidade parcial", o que levaria ao fracasso e a seqüelas imprevisíveis. Podemos dissolver os comprimidos em pequena quantidade de água (realizar esta operação pouco antes do uso) e bebê-los com um pouco de mel ou de café se o gosto for muito amargo. É recomendado associar álcool e barbitúricos. O efeito deles, assim como o de outros medicamentos, é potencializado pelo álcool, numa proporção de até 50%. Alguns autores estimam que a água gasosa acelera a absorção das substâncias pelo estômago e recomendam sua associação com o álcool. Para evitar uma reanimação indesejável, tomaremos o cuidado de destruir as embalagens dos medicamentos utilizados. Teremos também feito desaparecer (e não simplesmente jogado na lixeira, que será, sem dúvida alguma, revistada) toda a correspondência, receitas fictícias ou de camaradagem e todos os documentos que indicam cumplicidade voluntária ou involuntária na preparação do suicídio. Dentro do mesmo espírito, não é inútil deixar uma nota retirando a responsabilidade de eventuais testemunhas ou dos próximos. Nenhuma dessas precauções é supérflua em caso de intervenção do serviço médico que, sabemos, "intervém ao mesmo tempo que a polícia, já que esta última está ligada na mesma freqüência de rádio e, em conseqüência, tem conhecimento de todas as intervenções do serviço médico. Elas visam igualmente a simplificar as formalidades posteriores ao falecimento. As únicas formas requisitadas para a validade de um testamento comum (totalmente manuscrito) são as seguintes: o documento deve estar inteiramente escrito, datado e assinado pela mão da pessoa que faz o testamento (o qual deve ter pelo menos 16 anos de idade). Pode ser escrito em qualquer papel, em várias folhas de papel separadas, sob a condição de que cada uma tenha data e assinatura e que a ligação entre elas seja aparente. Notemos, finalmente, que uma jurisprudência muito antiga exclui a possibilidade de que a morte por suicídio invalide um testamento sob alegação de "loucura".

Claude Guillon & Yves Le Bonniec

6 de novembro de 2006

SIC (Errro)

Quem tem um probrema tem dois
Asterístico é algo caracterisco
Duas isfirra i um xopis
.
Sertas listas listradas
Macabéas mal cabeu
Erranu listras listadas
Mau coube aus macabeu
.
Chadreis é xá di réis
Dingo amém au mendingo
Vai direto au porquês
.
Exclusive é anglissismu
Renegerar u geni
Incrusive um trossu bárbaru
Jerar dinovo a genti
.
Tô meia duendi avuada
Meiu dia i meia di medu mi remedu
Quemhentas grama a tumei-a
.
Brigado pur alembrá
Mais incorrigiver demás
Pra mim mi lembrá
Há déis ano atráz
.
Tau cual taubas im Tabuaté
Barríu i bárril i bairru
As pálavra vi elas

17 de outubro de 2006

Ler ou não ler

Oscar Wilde, citando alguns exemplos, nos informa que os livros podem ser muito comodamente divididos em três classes, a saber:
\
1ª Os livros que se devem ler;
2ª Os livros que se devem reler;
3ª Os livros que não se devem ler nunca.
\
Comenta ainda que a terceira classe (todos os livros de argumentação e todos aqueles em que se tenciona provar alguma coisa) é, de muito, a mais importante. Dizer às pessoas o que devem ler é geralmente inútil ou prejudicial, porque a apreciação da literatura é questão de temperamento e não de ensino. Não existe nenhum manual do aprendiz do Parnaso, e nada do que se pode aprender por meio do ensino vale a pena aprender-se.
Ainda segundo o autor, dizer às pessoas o que não devem ler é coisa muito importante. Realmente é uma das necessidades que se deixam sentir, sobretudo quando se lê tanto, que já não se tem tempo de admirar, e quando se escreve tanto, que já não se tem tempo de pensar.
Ele termina com uma proposta. Quem escolher no caos de nossa literatura os CEM PIORES LIVROS e publicar a lista deles, fará um verdadeiro e eterno favor às gerações futuras.
Eu então gostaria de propor aqui exatamente o mesmo, desejando a participação de todas e todos, valendo tudo, incluindo o meu NãO FiQuE SãO ou até mesmo qualquer livro de Oscar Wilde. Eis a minha lista:
\
Os sofrimentos do jovem Werther (Goethe), O profeta (Gibran), A mulher de trinta anos (Balzac), A ressurreição (Tolstói), Para ser caluniado (Verlaine), Inferno (Strindberg), Os conquistadores (Verne), O morro dos ventos uivantes (Bronte), O clube dos suicidas (Stevenson), Pigmalião (Shaw), A mão direita (Soljenitsin), O imoralista (Gide), Haxixe (Benjamin), O apanhador no campo de centeio (Salinger), A volta do parafuso (James), Diários (Nijinski), A conseqüencia (Ziegler), O primeiro terço (Cassidy), O livro dos sonhos (Kerouac), Lenz (Schneider), A erva do diabo (Castaneda), Por quem os sinos dobram? (Hemingway), O som e a fúria (Falkner), Misto quente (Bukowski), Autobiografia precoce (Evtuchenko), Mephisto (K. Mann), Eram os deuses astronautas? (Däniken), Textos malditos (Pacheco), O desejo pego pelo rabo (Picasso), O diabo no corpo (Radiguet), O outro lado da meia noite (Sheldon), Ninguém é de ninguém (Gaspareto), Alta Fidelidade (Hornby), Kaos (Mautner), Crônicas de motel (Shepard), 13 (Townsend), O buda do subúrbio (Kureishi), Entre o sexo a loucura e a morte (J. A. Pinto), O sorriso do lagarto (J. U. Ribeiro), Depois do sol (I. L. Brandão)As pessoas dos livros (F. Young), As brumas de Ávalon (Bradley), O homem que matou Getúlio Vargas (Soares), Fliperama com creme (T. Coelho), Confissões de um comedor de xis (J. P. Goulart), Operação cavalo de Tróia (Benitez), O clube dos corações solitários (Takeda), De peito aberto (Romaní), Scum manifesto (Solanas), Diário de um mago (P. Coelho), Blecaute (M. R. Paiva).

Falar

Mamá mamãe
Papá papai
~
Óia o auau
De gatinhas
~
Dandá nenê
Passeá
De carrinho
~
Naná bebê
Arrotá
De carinho
~
Sem sonhá com bixo
Cresce sem medo
Fala comigo
Pa-ra-le-le-pí-pe-do

10 de outubro de 2006

Anniversary gift

Teardrops birthday
With greatest love flavor
In her happiness I stay
The only gift she's looking for
+ + +
The first piece of cake that bites me
And every plural ANA has an eye on this
Just because just like her, herself and she
I'm still twenty six years old already she is

8 de outubro de 2006

Do que mais tenho medo

1 De ler todos os livros interessantes
2 De encontrar algo ou alguém que valha a pena idolatrar
3 De ter de passar um final de semana sem cigarros
4 De acabar engravidando alguém que não amo
5 De acabar não cedendo a uma tentação
6 De encarar o olhar de José Aggripino de Paula
7 De uma música ruim não me sair mais da cabeça
8 De contar uma mentira muito bem sucedida
9 De a ciência descobrir a cura para o suicídio
10 De me deixar dominar por uma cota mensal de dinheiro
11 De alcançar satisfação sexual mais do que momentânea
12 De chegar de fato a ter o Mal de Auzheimer
13 De depois de morto descobrir que alguma religião estava correta
14 De continuar sendo um heterossexual para sempre
15 De finalmente conseguir tomar um LSD

Do que mais gosto

1 De reler o livro que mais gosto e perceber que não tinha entendido
2 De viajar de carro velho para bem longe
3 De ter o colo escolhido por um gato para se deitar
4 De reparar num dejà vú num dia tedioso
5 De macarrão à bolonhesa com carne assada, pão e vinho
6 De faltar ao trabalho tirando a quarta-feira de folga
7 De acordar bem tendo ido dormir com dor de cabeça
8 De ver um arco-íris diluído numa mancha de óleo na rua
9 De ouvir no rádio uma música que me faz relembrar o passado
10 De fumar um cigarro enquanto assisto alguém fumar num filme
11 De cutucar dolorosamente uma boa pereba no joelho
12 De mudar os móveis de lugar rearrumando um cômodo
13 De ver uma mulher sensual dançar se exibindo para mim
14 De me apaixonar à primeira vista por alguém que eu já conhecia
15 De notar o intervalo de tempo entre a imagem e o som dum trovão