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19 de março de 2007

Diminua o diâmetro do teu círculo social


Quem você pensa que conhece? Há algum tempo eu tinha muitos amigos.

A afirmação acima é tanto um paradoxo como uma falácia de raciocínio segundo recentemente aprendi já que, se eu "tinha" amigos, logo nunca os tive. Um amigo de verdade (o que é pleonasmo, além de redundância) seria para sempre, ao menos no meu mundo; será que estou sendo antiquado? Talvez hoje e daqui para frente a amizade não esteja mais na moda e eu esteja por fora... felizmente ainda tenho ótimos amigos tão demodés quanto eu, inclusive de muitos anos, que eu sei que estarão sempre comigo, uns bem próximos, outros nem tão freqüêntes mas com quem sei poder contar, outros que pelas circunstâncias estão longe no tempo e/ou no espaço, além daqueles que morreram cedo mas ainda assim sendo-o.

Esta merda toda é porque algumas pessoas que eu achava autênticas não foram verdadeiras, pois sequer eram de verdade; elas acharam que poderiam me deixar de fora... mas de quê? De seu círculo fechado de amizades em aberto? Eu não posso nem mesmo lamentar. "Amigos" de antigamente, façam-me um favor, ao menos mais uma vez finjam ainda serem reais ao incluir-me fora dessa. E, fora isto, antes que eu me esqueça:
"
Vocês podem todos entrar uns nos cus dos outros para ir à MERDA!!!

Quem sabe, sabe;

Quem não sabe, ensina;
Quem não sabe ensinar, ensina a ensinar;
Quem não sabe ensinar a ensinar, vira crítico.

11 de fevereiro de 2007

5 de fevereiro de 2007

Par ou Ímpar

Livro e luz
Queijo e goiabada
Música e audição
Porre e privada
Arroz com feijão
Dois sexos nus

28 de janeiro de 2007

Balada Paulistana

Caótica Sampa onde se acaba o samba
Que em meio a asfalto concreto fumaça
Tem um povo a se esgueirar
Chuva suja essa garoa mas ao menos lava a lava
Que expelem os poluídos corações
Aqueles que se abalam diante
Da discreta deselegância das meninas
Desviam o olhar das veias velhas bailarinas – cômico
Em meio ao caos armado de cimento amado
Tua violenta imagem e cotidiano
Reflete-se nas águas de teu rio mundano – trágico
O pródigo cidadão se encarrega
De destilar a cólera no próximo cidadão – verídico
Tua gente quase sempre nascida aqui
Aglomera-se em trens ônibus e afins
Em tuas praças ao relento vidas vãs lamentam
A vida que levam ou pela qual são levados
Escadarias pontes postes monumentos
Onde pobres podres diabos moribundam
Tantos quantos destes que abundam – de novo o caos
A falta que as coisas que te faltam faz
Faz menção direta a tua nação megalomaníaca
Elevados prédios passagens viadutos
Onde se vê e ouve-se o bairro e os centros
Nesses arredores vagamundam aqueles
Para os quais cartaz e poema dizem não haver vagas
Quem foi que disse “grande cidade”?
Uma cidade com grandes problemas ao certo
Vide o esgoto logo ali a céu aberto – é mesmo o caos
Assim é utópica a menor esperança
Mas nesta balada o poeta pode fazer-se criança
E a utopia ver no sorriso da moça da favela
Quando em fevereiro samba na passarela (pra TV)
No grito do varredor de rua desdentado
Quando de um perfeito golaço filmado (pro VT)
Até eu mau poeta vejo o não sentido
Chama-se lirismo isso que os compositores
Põe nas letras das canções sobre São Paulo
Meio triste melancólico sorumbático assim
Canto desde já por todos os cantos um canto
Que aprendi com a gente daqui
Uma canção sem palavras
Que serve de letra
Ao minuto de silêncio
Que compus pra ti

25/01

6 de janeiro de 2007

B's. A's.

duas moedas para o coletivo terraportar-me do aeromorto
polinizado pela daninha flor amarela que não se extingue
adentro a urbe à margem esquerda do rio de prata absorto
segundando os olhos e passos de minha Beatriz bilíngüe
...
ao imenso Obelisco perpendicular falo
esqueço de ouvir o olvido sonoro
é dezembro desde Julho ou Maio
bolivarianos, san-martinianos
velhas bandeiras sujas e rasgadas
azuis as águas e o céu não fora o barro e a fumaça
brancos monumentos e dias é claro
as paredes de pichadas não estão livres
...
carteado, truco ou aposta
quem te mata mate quente
nas gauchescas rodas
jardins nas praças nos parques
desde as quadriláteras esquinas
por uma cabeça e cinco quartos
cavalos circulam corridas
sem asas e sorte no jogo de azar
...
milanesas e empanadas
vinho e refrigerante e cerveja
cafés sol-guardados nas calçadas
restaurantes com postres sobre-a-mesa
...
tangos, milongas / / / / / Gardel, Piazzolla
ex-voto de minerva / / / / / bandoneon guitarra baixo
sem mais delongas / / / / / com punhal se degola
Perón e Eva / / / / / portenho coagulando gaúcho
...
os múltiplos centros e a unívoca periferia
peculiares as palavras chiam como chicotadas
espanhola língua de novo o mundo a nostalgia
ao caminhar diz-se que se faz o caminho
...
carteado o embaralho
anoitece as histórias
encaminham a estatuária
caudilhos, patrões, compadres
preto fumo o que pitam
de aço de ferro de lata
flor dos que duelam a faca
desde pampas desce
sobre patagônias sobe
preferível dizer Malvinas
nos pátios pertence-me o sol
mas é tua a avarandada a lua
...
nada como a morte para melhorar os vivos
revoluções de sete palmos de guerra
desterrados, mortos, desaparecidos
o tempo não revolve, resolve a terra
os mais ousados debaixo do rio ou no fundo do chão
a carne jamais vingada dos nativos
...
viro-me para o povo que se vira
mímicos e mendigos e mágicos
artistas da fome e da sede de se recriar
tocadores e trombadinhas e titereiros
volto-me para as ruazinhas barulhentas
a música em trânsito nos chingamentos
às carruagens aos táxis às biclicetas
no que me pesam no que me levam
...
ou branquitude criolada ou
che, maradona, che
a mão do deus rasga o romance do diado
amor mestiço ou ódio mulato
Martin Fierro ou Don Segundo Sombra
a arte da pena que a vida alonga
julistas e jorgeanos nas livrarias
entreabertas até antes tarde
nunca, nena, nunca
panela que manifesta a ação
sem-vergonha a Casa Rosada
aqui se pergunta “que sei eu?”
lunfardo contra a Real Acadêmia
surreal não é Xul é o Sul
...
na Recoleta em Puerto Madero em Palermo
essa adjetiva urbanidade de cor argentina nos lugares
em La Boca no Retiro no San Telmo
dessa cativa saudade que se imagina em bons ares

4 de janeiro de 2007

Mais um de mim a menos


depois de meu penúltimo meio-dia
onde a clara rua perde o mesmo nome
ali é o fim do apocalíptico terceiro verso
hoje a morte lateral das vagas sombras
diz-me que o nosso mundo acabará para mim
de me parar preparei-me para me deparar
elo, desde onde estive duelo até por onde vou, duo
vida que se finda estranhamente e sem rima
esse é sempre o labirinto múltiplo de passos
o que meus pés teceram desde a infância
um círculo que se fecha de acordo consigo no vício
já que o íntimo me troca por outro hospedeiro
depois de alçar seu vôo sem pássaro dentro

16 de dezembro de 2006

De epígrafes e epitáfios

Perguntas por mim?
Nunca nasci ou morrerei;
Eu estou e sou assim!
Aqui sempre continuarei.

10 de dezembro de 2006

Ordinal

1002ª noite árabe
366º dia do ano
361º grau do círculo
301º espartano
121º dia de sodomita
61º minuto da hora
61º segundo do minuto
51º estado estadunidense
33º dente
27º estado nacional
27ª letra do alfabeto
25ª hora do dia
21º dedo
21º cigarro do maço
13º signo zodiacal
13º mês do ano
13º apóstolo
13ª unidade da dúzia
11º mandamento cristão
11º conto decamerão
9º planeta
8º dia da semana
8º pecado capital
8ª cor do arco-íris
8ª nota musical
6º sentido humano
6ª função orgânica
6ª faculdade psíquica
5ª estação do ano
5º elemento natural
5º lado do quadrado
5º ponto cardeal
4º ângulo do triângulo
4º mundo
4º trópico
4ª pessoa da trindade
3ª guerra mundial
3º olho
3ª face da moeda
3ª moeda ao barqueiro
3ª orelha
3º círculo polar
3º pé
3ª página da folha
3ª mão
2º nascimento
2º coração
2º umbigo
2º órgão genital
2ª boca
2º ânus
2º centro do mundo
2ª lua
2º sol
2ª morte
1ª felicidade

9 de dezembro de 2006

Duchamp e/ou Arte

Um respeitável cidadão francês tentou destruir com marteladas a obra de arte de Marcel Duchamp, exatamente aquela mais conhecida e que mais contribuiu para a fama do autor. Trata-se do mictório feito de louça branca que Duchamp colocou dentro de um museu.
Marcel Duchamp é, antes de tudo, um iconoclasta. Durante todo o tempo dedicou-se a destruir conceitos e a negar o estabelecido, às vezes com ações espalhafatosas, buscando renovar a arte e as formas de pensar. Se Duchamp pode, o cidadão francês de 77 anos também julgou poder destruir conceitos e declarou que as marteladas eram apenas uma intervenção artística e que seu trabalho seria aprovado por Duchamp. É muito possível. O que Marcel Duchamp desejava dizer quando colocou o urinol no museu? Não desejava, decerto, estabelecer novas verdades e conceitos; desejava exatamente questionar a validade dos conceitos e colocar a possibilidade de haver arte em qualquer objeto, desde que assim seja considerado. ...Difícil estabelecer um limite a partir do qual chega-se ou ultrapassa-se o exagero. O fato é que Duchamp contribuiu para o infindável debate entre o que é e o que não é arte. O homem do martelo também pode ser considerado assim. Por que não? Ele já havia mijado na mesma peça em uma exposição anterior e isso mostra que alguma coisa o provocava no tal mictório. Acabou sendo preso mas é certo que muitos artistas considerados geniais e revolucionários foram também completamente incompreendidos.

Duchamp quis "... transformar todas as pequenas manifestações externas de energia, em excesso ou desperdiçadas, como por exemplo... o crescimento dos cabelos ou das unhas, a queda da urina ou das fezes, os movimentos impulsivos do medo, do assombro, do riso, a queda da lágrima, os gestos da mãos, o olhar frio, o ronco ao se dormir, a ejaculação, o vômito, o desmaio, etc".

13 de novembro de 2006

Princípios?

Admitir-se-ia, provisoriamente, como inquestionáveis
Em axioma postulado proposição ou teorema
No início de uma dedução naquele ou neste sistema
Não sendo deduzidos de quaisquer outros consideráveis
...
Realidade é um conceito psicológico
Que designa a acomodação a uma situação
Que a experiência já tenha demonstrado como preferível
Mediante a contenção do princípio do prazer
Que tende apenas à satisfação de um impulso
Incerteza ou indeterminação pois é
Impossível realizar qualquer medição
Numa partícula muito pequena
Sem afetar seu estado natural
...
O tempo gasto por um raio luminoso
Entre dois pontos quaisquer é o menor possível
Todos os pontos de uma onda
De energia no vácuo podem ser
Considerados como novas fontes de ondas
Que se expandem em todas as direções
Num intervalo de tempo
Proporcional à velocidade
A ação ou trabalho mínimo pretende
Que o trabalho realizado é sempre o menor
Possível quando há transferência de energia
...
A população tende a crescer
Em progressão geométrica
Enquanto a produção de alimentos
Tende a aumentar em progressão aritmética
Todas as pessoas nacionais ou estrangeiras
Domiciliadas ou não estão sujeitas
Às leis do país onde se encontram
Constitucionais os dispositivos jurídicos
Fundamentais que se encontram implícitos
Ou expressos na constituição segundo os quais
Se organiza a vida jurídica da nação
E se estruturam e funcionam os órgãos estatais
Numa família de conjuntos não-vazios
Pode-se escolher ao mesmo tempo um elemento
De cada conjunto e considerar o conjunto A
Que não podia pertencer a nenhuma categoria
Como constituído desses elementos
...
Dois elétrons
De um mesmo átomo
Não podem ter o mesmo
Conjunto de números quânticos
Ou seja o mesmo nível de energia
Num líquido incompressível em equilíbrio
A variação da pressão se transmite integralmente
Em todas as direções e a toda a massa líquida
Todo corpo mergulhado num líquido
Está sujeito a uma força denominada
Empuxo que atua de baixo para cima
E é igual ao peso do volume de líquido deslocado
Um corpo mais pesado que o ar se sustenta no espaço
O fluxo elétrico que passa através de uma superfície fechada
É proporcional à carga contida
No interior dessa superfície
A entropia de todos os corpos
Tende a zero quando a temperatura
Tende ao zero absoluto
...
A condição ideal
De equilíbrio a que tendem
Os diversos blocos da crosta terrestre
Cosmologicamente parte do princípio
Que o universo é homogêneo e isotrópico
Sem local ou direção privilegiada para observação
A complementaridade
É observar um fenômeno qualquer
De dois pontos de vista diferentes e não excludentes
O valor relativo de duas grandezas
Da mesma espécie é constante
Independentemente da unidade escolhida
Um sistema em equilíbrio reage
A uma perturbação de modo a neutralizá-la
E a restabelecer o equilíbrio
Os processos biológicos do passado
Ocorreram de maneira semelhante aos atuais
...
A base filosófica para a aceitação
De novas teorias requer que a teoria
Mais recente explique a fenomenologia
Para as quais então a precedente valia
Tão evidente em si mesmo que dispensaria
Mesmo qualquer hipótese de demonstração
O que só depois de demonstrado se admitiria

9 de novembro de 2006

Não Lugar

A Terra eu enterrei no espaço
A tempo de herdar outra nova moradia
O Eu meu desabrigado invadiu o que faço
O utópico latifúndio ermo da poesia
[
Imagino a viagem invejoso
Viajo a inveja imaginoso
Imagino a imagem viajoso
]
Em alongada elipse de lado a lado
Um ano trópico transo pensar
Em eremitério voluntário impensado
Um mundo tropical queria alugar
Em lugar ao contrário rotacionado
Um translado mundano a rodar e rodar
Em alado querer voar tropica trançado
Um eclíptico pensamento a me alongar

8 de novembro de 2006

Suicídio: modo de usar

Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: é o suicídio.
Julgar se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma questão
fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões,
se o espírito tem nove ou dez categorias, vem depois.
São apenas jogos: primeiro é necessário responder.
Albert Camus

Se queremos realmente morrer, não percamos tempo escolhendo um local. O hotel é um local absolutamente adequado. Não esquecer de reservar o quarto, pagar dois dias adiantados e prevenir a portaria de que não queremos ser incomodados durante esses dois dias... temos de estar seguros de, pelo menos, um dia de tranquilidade. Quanto mais tarde for a descoberta do corpo, menores serão as chances de reanimação. Devemos absorver, de preferência, uma refeição leve a fim de que o estômago não esteja nem vazio, o que o tornaria extremanente sensível à dose maciça de medicamentos, nem cheio demais. Para reduzir ainda mais os riscos de vômitos, podemos tomar um remédio contra enjôo logo depois da refeição e cerca de uma hora antes de absorver os medicamentos mortais. É prudente testar antes o efeito desse medicamento antienjôo. A ação sedativa deve ser muito forte, se quisermos continuar executando bem o restante das operações. As doses mortais são proporcionais à corpulência do indivíduo. É preciso também considerar a eventual tolerância ao produto. Se somos habitualmente tratados com barbitúricos ou com morfina, convém aumentar as doses recomendadas. Conservaremos os medicamentos num local fresco, por exemplo, na parte de baixo do refrigerador. A propósito, é bom observar a data de fabricação e o prazo de validade. Seria uma ingenuidade pensar que os produtos cuja data de validade estiver ultrapassada são mais tóxicos e, assim, mais eficazes. Eles podem ter perdido a eficiência imediata e ganhado "toxicidade parcial", o que levaria ao fracasso e a seqüelas imprevisíveis. Podemos dissolver os comprimidos em pequena quantidade de água (realizar esta operação pouco antes do uso) e bebê-los com um pouco de mel ou de café se o gosto for muito amargo. É recomendado associar álcool e barbitúricos. O efeito deles, assim como o de outros medicamentos, é potencializado pelo álcool, numa proporção de até 50%. Alguns autores estimam que a água gasosa acelera a absorção das substâncias pelo estômago e recomendam sua associação com o álcool. Para evitar uma reanimação indesejável, tomaremos o cuidado de destruir as embalagens dos medicamentos utilizados. Teremos também feito desaparecer (e não simplesmente jogado na lixeira, que será, sem dúvida alguma, revistada) toda a correspondência, receitas fictícias ou de camaradagem e todos os documentos que indicam cumplicidade voluntária ou involuntária na preparação do suicídio. Dentro do mesmo espírito, não é inútil deixar uma nota retirando a responsabilidade de eventuais testemunhas ou dos próximos. Nenhuma dessas precauções é supérflua em caso de intervenção do serviço médico que, sabemos, "intervém ao mesmo tempo que a polícia, já que esta última está ligada na mesma freqüência de rádio e, em conseqüência, tem conhecimento de todas as intervenções do serviço médico. Elas visam igualmente a simplificar as formalidades posteriores ao falecimento. As únicas formas requisitadas para a validade de um testamento comum (totalmente manuscrito) são as seguintes: o documento deve estar inteiramente escrito, datado e assinado pela mão da pessoa que faz o testamento (o qual deve ter pelo menos 16 anos de idade). Pode ser escrito em qualquer papel, em várias folhas de papel separadas, sob a condição de que cada uma tenha data e assinatura e que a ligação entre elas seja aparente. Notemos, finalmente, que uma jurisprudência muito antiga exclui a possibilidade de que a morte por suicídio invalide um testamento sob alegação de "loucura".

Claude Guillon & Yves Le Bonniec

6 de novembro de 2006

SIC (Errro)

Quem tem um probrema tem dois
Asterístico é algo caracterisco
Duas isfirra i um xopis
.
Sertas listas listradas
Macabéas mal cabeu
Erranu listras listadas
Mau coube aus macabeu
.
Chadreis é xá di réis
Dingo amém au mendingo
Vai direto au porquês
.
Exclusive é anglissismu
Renegerar u geni
Incrusive um trossu bárbaru
Jerar dinovo a genti
.
Tô meia duendi avuada
Meiu dia i meia di medu mi remedu
Quemhentas grama a tumei-a
.
Brigado pur alembrá
Mais incorrigiver demás
Pra mim mi lembrá
Há déis ano atráz
.
Tau cual taubas im Tabuaté
Barríu i bárril i bairru
As pálavra vi elas

17 de outubro de 2006

Ler ou não ler

Oscar Wilde, citando alguns exemplos, nos informa que os livros podem ser muito comodamente divididos em três classes, a saber:
\
1ª Os livros que se devem ler;
2ª Os livros que se devem reler;
3ª Os livros que não se devem ler nunca.
\
Comenta ainda que a terceira classe (todos os livros de argumentação e todos aqueles em que se tenciona provar alguma coisa) é, de muito, a mais importante. Dizer às pessoas o que devem ler é geralmente inútil ou prejudicial, porque a apreciação da literatura é questão de temperamento e não de ensino. Não existe nenhum manual do aprendiz do Parnaso, e nada do que se pode aprender por meio do ensino vale a pena aprender-se.
Ainda segundo o autor, dizer às pessoas o que não devem ler é coisa muito importante. Realmente é uma das necessidades que se deixam sentir, sobretudo quando se lê tanto, que já não se tem tempo de admirar, e quando se escreve tanto, que já não se tem tempo de pensar.
Ele termina com uma proposta. Quem escolher no caos de nossa literatura os CEM PIORES LIVROS e publicar a lista deles, fará um verdadeiro e eterno favor às gerações futuras.
Eu então gostaria de propor aqui exatamente o mesmo, desejando a participação de todas e todos, valendo tudo, incluindo o meu NãO FiQuE SãO ou até mesmo qualquer livro de Oscar Wilde. Eis a minha lista:
\
Os sofrimentos do jovem Werther (Goethe), O profeta (Gibran), A mulher de trinta anos (Balzac), A ressurreição (Tolstói), Para ser caluniado (Verlaine), Inferno (Strindberg), Os conquistadores (Verne), O morro dos ventos uivantes (Bronte), O clube dos suicidas (Stevenson), Pigmalião (Shaw), A mão direita (Soljenitsin), O imoralista (Gide), Haxixe (Benjamin), O apanhador no campo de centeio (Salinger), A volta do parafuso (James), Diários (Nijinski), A conseqüencia (Ziegler), O primeiro terço (Cassidy), O livro dos sonhos (Kerouac), Lenz (Schneider), A erva do diabo (Castaneda), Por quem os sinos dobram? (Hemingway), O som e a fúria (Falkner), Misto quente (Bukowski), Autobiografia precoce (Evtuchenko), Mephisto (K. Mann), Eram os deuses astronautas? (Däniken), Textos malditos (Pacheco), O desejo pego pelo rabo (Picasso), O diabo no corpo (Radiguet), O outro lado da meia noite (Sheldon), Ninguém é de ninguém (Gaspareto), Alta Fidelidade (Hornby), Kaos (Mautner), Crônicas de motel (Shepard), 13 (Townsend), O buda do subúrbio (Kureishi), Entre o sexo a loucura e a morte (J. A. Pinto), O sorriso do lagarto (J. U. Ribeiro), Depois do sol (I. L. Brandão)As pessoas dos livros (F. Young), As brumas de Ávalon (Bradley), O homem que matou Getúlio Vargas (Soares), Fliperama com creme (T. Coelho), Confissões de um comedor de xis (J. P. Goulart), Operação cavalo de Tróia (Benitez), O clube dos corações solitários (Takeda), De peito aberto (Romaní), Scum manifesto (Solanas), Diário de um mago (P. Coelho), Blecaute (M. R. Paiva).

Falar

Mamá mamãe
Papá papai
~
Óia o auau
De gatinhas
~
Dandá nenê
Passeá
De carrinho
~
Naná bebê
Arrotá
De carinho
~
Sem sonhá com bixo
Cresce sem medo
Fala comigo
Pa-ra-le-le-pí-pe-do

10 de outubro de 2006

Anniversary gift

Teardrops birthday
With greatest love flavor
In her happiness I stay
The only gift she's looking for
+ + +
The first piece of cake that bites me
And every plural ANA has an eye on this
Just because just like her, herself and she
I'm still twenty six years old already she is

8 de outubro de 2006

Do que mais tenho medo

1 De ler todos os livros interessantes
2 De encontrar algo ou alguém que valha a pena idolatrar
3 De ter de passar um final de semana sem cigarros
4 De acabar engravidando alguém que não amo
5 De acabar não cedendo a uma tentação
6 De encarar o olhar de José Aggripino de Paula
7 De uma música ruim não me sair mais da cabeça
8 De contar uma mentira muito bem sucedida
9 De a ciência descobrir a cura para o suicídio
10 De me deixar dominar por uma cota mensal de dinheiro
11 De alcançar satisfação sexual mais do que momentânea
12 De chegar de fato a ter o Mal de Auzheimer
13 De depois de morto descobrir que alguma religião estava correta
14 De continuar sendo um heterossexual para sempre
15 De finalmente conseguir tomar um LSD

Do que mais gosto

1 De reler o livro que mais gosto e perceber que não tinha entendido
2 De viajar de carro velho para bem longe
3 De ter o colo escolhido por um gato para se deitar
4 De reparar num dejà vú num dia tedioso
5 De macarrão à bolonhesa com carne assada, pão e vinho
6 De faltar ao trabalho tirando a quarta-feira de folga
7 De acordar bem tendo ido dormir com dor de cabeça
8 De ver um arco-íris diluído numa mancha de óleo na rua
9 De ouvir no rádio uma música que me faz relembrar o passado
10 De fumar um cigarro enquanto assisto alguém fumar num filme
11 De cutucar dolorosamente uma boa pereba no joelho
12 De mudar os móveis de lugar rearrumando um cômodo
13 De ver uma mulher sensual dançar se exibindo para mim
14 De me apaixonar à primeira vista por alguém que eu já conhecia
15 De notar o intervalo de tempo entre a imagem e o som dum trovão

7 de setembro de 2006

Os prazeres e os dias

Quero hoje ouvir a verdade que grita a vagina aberta até me fartar, por entre suas barbas hirsutas meter-me calando-a com minhas fálicas falácias e gozarmos juntos do silêncio ruidoso que fazem os corpos roçando-se. É o que faremos para matar o tédio, spleen e ideal. Um amante que não ousa dizer teu nome. Vou revirar-te as formas, espremer-te o conteúdo; saber-te as fraquezas na carne a maltratar: no suor que sorverei, nas redondas tetas que maleáveis pedem meus dentes que teus dentes sujam com meu sêmen seco. Flagro a fragrância que em nossa alcova deflagra teu tenro pomo, àquela hora já entediado do amor sáfico, ele entra em meu olfato e me torna besta furiosa, libidinosa e pagã. Assim dói? É? Fico feliz... Defloro-te a ampla vulva colhendo-te no horror do ato consumado sobre o nosso sangue coagulado (o meu, o teu e o do feto moribundo) e te arrombo o cu mutilando as nádegas maciças; amarro e violo, estupro mesmo, e você gosta, gosta... Chupo um cigarro e você me chupa, resmunga ao redor da extremidade que assim desse ângulo te faço lembrar do apolíneo do teu pai; trago forte e quero explodir em ti ao lembrar nosso filho morto que nunca poderei foder, até matar ou matar, até foder... ah, doeria mais nele do que em mim! Não, não. Não chore , mulher, que é coisa para sádicos além de uma vulgaridade. Isto tudo não passa de um passatempo. Poderíamos morrer agora, de pequenas mortes formidáveis. Plásticos e artísticos, elásticos. Sem látex latejantes. Vamos, pode morder... assim! Arranque para você um pedacinho só. Você pode chamá-lo de Prepúcio pois eu sei que não lhe sai da cabeça... De cabeça para baixo com os buracos a mercê ela fica uma graciosidade, presa e desconfortável assim então, uma tentação irresistível; resisto a tudo menos às tentações. Assim repenetro-lhe a vagina até o joelho e ela grita, piso-lhe os cabelos e ela mia, taco-lhe no cu o cigarro e ela arrebita. Somos festa móvel, particular e impublicável. E isto será bom para todos nós.