31 de julho de 2007
Procura-se-me Urgente!
26 de julho de 2007
Mitografia
Não estou a colorir a verdade
Eu que estou apenas mentindo
Artifícios sobre uma realidade
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Faço crer em uma convincente fantasia
Estou sendo autêntico falsário da ilusão
Reelaboro as certezas como à joalheria
Para causar a melhor errônea impressão
Um conto de fadas que não se evidencia
Conto com inobservada falta de atenção
Cruzando essas pernas curtas de bijuteria
Para usar do simulacro ou da simulação
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As fachadas mais sólidas com gesso
É fato que construo, tijolo por tijolo
Encubro com o rococó pouco espesso
De dezoito quilates por ouro de tolo
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Desconfies sempre que me ver caricaturar
Sou aquele que promete quebrar um juramento
Procures-me nas entrelinhas que sei maquiar
Para que só me julgues por aquilo que aparento
Acautela-te com o esse perjúrio subliminar
Entendas que não o faço por arte de fingimento
Saibas que vais perder-te ao saber te achar
Ajo assim pelo teu, meu, mútuo entretenimento
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O real significado sempre se escapa
Faço assim pois precisas ludibriar-te
Nunca mais julgues o livro pela capa
A vida sublimada se desvela em arte
24 de julho de 2007
Pocilga Literária
23 de julho de 2007
Onívorofertório
. fazendo com tripas, coroação
boas intenções ao molho pardo
visceral é faltar três refeições ao dia
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pedo-fagismo lambe-dedos
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quem são essas pessoas que se alimentam de outras?
vamos comer fora, auto-flambado, mais um tibetano!
sobre as ruas roem as sobras
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barrigadas de sensaboria frugal
refém são de massas mero palativo
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... moralmente, onde a fome nos serve...
ao sugo siciliano o nosso prato mais caro nada
...quando expira, esteticamente, o banquete...
balas perdidas que não acham doces bárbaros
...a vingança gulosa, como se cruamente...
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é voraz como degusta o comensal
o mal passado é apenas o aperitivo
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filé mignon da crítica literária
à força de um es-quar-te-ja-men-to se desfaz a união?
hoje foi dia da carcaça, amanhã será do conservador!
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tele-culinária anti-coagulante
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ovelha podre ou maçã negra
fundamentos da violação carismática
a nossa veia democrática em sangria
18 de julho de 2007
Contra a Poesia
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Algo como um sacerdócio que me marcou profunda e indelevelmente ao buscar ser um poeta experimental, levando uma vida experimental. Tudo o mais que existe, eu perdi. Posso me considerar o maior derrotado, perdedor, na medida em que fui extraviado da vida normal, morna e confortável, de toda a gente; sem deixar o convívio dessas gentes e de ser eu mesmo mortal. Carrego esse dom como um aleijão, um horrível terceiro braço que quando não está escrevendo serve para me mutilar; sou mais de um agora, mas esse outro ente terrível que também sou eu, eu carrego comigo para outro e um lado como irmão siamês que me dita o melhor da vida, e me interdita ao tentar desfrutar dela. E eu um dia QUIS tudo isso. Sou um iniciado, agora que tudo está terminado.
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Já não acredito em Deus ou no Diabo, além (ou aquém) do mal e do bem; se há outra forma de vida fora da Terra, é inteligente o bastante para não vir se perder por aqui; não tenho esperanças de revolução alguma que nos redima ou melhore o mundo, sendo mais do que um pessimista ou niilista, um cínico; entrei em um processo sem volta de transgredir quaisquer limites que me impunha antes a minha humanidade perdida. Como outros como eu, cruzei as portas da percepção, olhei de frente o cintilante conteúdo das latrinas; fui a autêntico ladrão de fogo e antena da raça; recebi a visita do anjo torto que me madou ser gauche na vida, experimentei em mim todos os venenos, fiz-me louco e vidente com um completo e racional desregramento de todos os sentidos; inalei perfumes de carcaças e cabeleiras; morri muitas mortes difíceis como partos sangrentos; viajei o mundo em busca de mim e perdi meu tempo procurando por mais lembranças. Morro pré-natal pois nasci póstumo. Tenho vários livros escritos que ninguém ainda pôde publicar. A Poesia é um tipo de monstro de vanguarda, defendei-vos dela vos fazendo gárgulas... ponde uma carranca na linha de frente do vosso analfabetismo poético. Olhai e não passeis!
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Não queirais ser poetas, vos vaticino o futuro e assim vos aconselho. Não busqueis ser mais profundos, toda Arte é completamente inútil. A Poesia não está nos livros, está na vida, não a reproduzais, gozai-a. Não queirais criar mais Beleza escrita, que tanto mal faz a quem a aprecia, que rapta e mantém cativos àqueles fetichistas que sem nenhuma ingenuidade a idolatram. Mantende-vos puros e afastados disso, é um perigo e vossa felicidade pode estar em risco. Sede simples, nascerdes humanos já foi algo demasiado complexo para uma única existência, a ataraxia deve ser o caminho mais certo para a felicidade. Não vos inflijais tal ônus; sabeis que vós não preciseis de nada disso, ainda que a própria Poesia vos diga ao pé do ouvido que precisa de vós. Eu vos admirei e invejei em segredo pelo que não sois. Estas palavras não querem formar uma peça artística, não são obra de ficção; não querem servir outros, apenas a vós mesmos... por amor de vós, deixai-as calar profundamente em vossos corações e tende em mente que podem ser um último aviso. Não vades por aí... hipócritas leitores!
27 de junho de 2007
Espelho... espelho... nosso
Suma, de quaisquer raízes desistaEis que falta-me o chão e me ufano
Já não é eco da maldição narcisista
A total ditadura do rosto humano
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Egóticos, voyeristas ignaros
São tudo que sempre evitei
Saí só para comprar cigarros
E foi que nunca mais voltei
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Tarde, eu mesmo já não me acredito
O poema é apenas isso que você leu
Leia melhor apenas se achou bonito
26 de junho de 2007
Cor(ou)Ação
Paixão mesmo, das que apenas existem, a que sinto. E saudades. De tudo aquilo nosso. Sabes. Bocas, bravezas, brincadeiras, bravatas. Falamos gostoso, bem gostosinho... quase gozo. Supér mais que fluo... Vou. Soube de e por ti de istos e aquilos. Re-imagino. [T {(tê) são}]. Beber uns goles nos refazendo companhia. Juntos. Alugar ou não há? A ir, indo ainda. Divagandando. Vamos sim vadiar sim vamos sim viajar. Sertodo errrado. Vê nus... amar-te. No pequeno anel só cabe teu nome. Até não mais quero poder; quero até não poder mais. Você. É... transar é que é... bom... só contiguamente: a minha mente contigo. Amo. Por quê? Por que não? Exclamo? Interrogo! Rogo e clamo... por. Ruma o de sempre e como nunca, a cada e de todas as vezes por uma. Encontrar alguém assim na vida é se perder assim na vida de alguém. Ó... Eu aqui tenho um mal de amor e é muito longe o que sinto; bem aí!
25 de junho de 2007
Perfídiáfano
Eu vou te contar tudo o que está acontecendo.Hoje quando acordei, a primeira coisa que fiz foi finalmente olhar umas fotos minhas de infância que estavam com a minha irmã, que as deixou comigo quando veio aqui. Eu ainda não as tinha visto. Em algumas delas estou naquela idade na qual não se pode saber se o bebê é menino ou menina, nem tampouco é possível reconhecer já muitos traços da aparência que tenho hoje. Pensei no que a tua avó me disse imediatamente após pensar aquilo. Uma das fotos trazia uma mulher meio de costas, com um bebê de colo, minha mãe e eu; mas também poderia ser a tua mãe e você. Agora penso que também poderia ser outra mãe com seu filho no passado e, você entenderá o porquê mais adiante, no futuro.
Um detalhe ao qual não dei muita importância na hora é que a minha mãe em algumas fotos parecia muito com uma das irmãs dela, uma que você conheceu; em outra foto ainda, meu pai parecia um tio irmão da minha mãe, cuja ex-mulher você conheceu também. Isto tem de certa forma conexão com o casamento.
Ao descer do quarto, antes de sair, minha mãe me contou que a minha prima (que você conheceu) vai se casar em dezembro do ano que vem, e que você e eu seríamos oportunamente convidados e, pensei comigo, provavelmente como padrinhos, novamente. Aqui eu já havia me dado conta que todos os fatos que ocorrem realmente guardam certa ligação entre si no tempo e no espaço, quase sobrenaturalmente... mas agora atordoado confesso que eu ainda não tinha uma real idéia do quanto. A minha vida assustadoramente faz parte de um esquema que eu julguei poder fingir ignorar, relacionado também com todo o trágico no mundo e os sentimentos que trago comigo desde criança, desde o ventre... ou desde (e até) onde? E o mais importante para mim: por quê?
Saí para procurar trabalho, um trabalho qualquer, com um único objetivo bem definido, e o pensamento intensamente voltado não para os mistérios da vida e as coisas inexplicáveis que acontecem no mundo, inclusive ruins. Mesmo conosco. Eu pensava em você e em como você estava pensando em mim. E era bom.
O dia passou rápido apesar de ter sido um tanto chato e desgastante. Imagino que o teu dia tenha passado bem devagar, que tenha feito muita coisa. É estranho?
Uns momentos daquelas horas andando pelas ruas estão me ocorrendo: de vez em quando, ao longo do dia, eu pensava em nomes, nomes de pessoas que conheço, bem próximas, no meu, nos dos amigos e amigas, no da família. Isto doía, sobretudo em alguns instantes em que o meu nome me ocorria.
Chegando em casa tive de agüentar da minha mãe uma conversa muito desgastante sobre deveres e responsabilidades, sobre comprometimento. Senti muita pressão, até porque ela usava argumentos com os quais, ela dizia, todos concordavam, sobretudo sobre mim e a minha atual condição; pior é que me falava sobre o eu que sempre fui, essencial, e um eu que eu deveria ser, ideal. Contava-me sobre coisas que ela, meu pai, minha irmã, meus amigos e até você pensavam sobre mim. Procurei não dar ouvidos, mas agora sei que algo disto entrou a ainda está em mim enquanto contra a minha vontade relembro.
Pensei muito em você, refugiando-me na idéia de nós dois juntos, felizes.
Então, você me telefonou, bem antes do que eu esperava. Nós nos falamos aquele tanto, que foi bem pouco; e o que falamos, bem estranho. É uma sensação que me tomava durante a ligação, não baseada nas palavras ditas, mas nas não ditas. A exceção poderia ter sido um momento em que eu ia dizer algo e não disse. Quer saber o que era? Logo mais adiante você finalmente saberá. Continue.
Saí pouco depois. Na rua, era como se tudo o que eu ouvisse começasse a fazer sentido quando interligado com as outras coisas, ou como se eu recomeçasse a perceber esses sentidos aos quais ainda não havia solucionado bem. Foi aí que vi o bebê no colo da mãe. Era como eu ou você, o rosto familiar e ao mesmo tempo indistinguível, também o da mãe, que atravessava apressada a rua.
Na viagem de volta, lembrei do sonho que tive a noite, e liguei os pontos:
Várias pessoas que conheço e conheci, algumas já mortas, e algumas que não reconheço (mas acho que não cheguei a conhecer ou ainda vou conhecer), caminhavam em minha direção, eram muitas e tinham uma aparência de que vinham para ajudar, apesar de causarem no fim tanta dor. Todas essas pessoas, cada uma delas, tinham no colo um bebê, o mesmo de antes, mesmo de sempre.
Cercaram-me como se me acolhessem e lembro-me de me sentir muito amparado.
Os bebês olhavam para mim como se estivem gostando de me ver, felizes até por isso embora não sorrissem de verdade, pareciam mais preocupados, o que me preocupou. Eu não acho que sabia que estava sonhando, acho que por isso foi tão real apesar de algo possivelmente impossível; talvez por isso nunca me lembre dos sonhos. Neste exato momento em que escrevo isto me vem a certeza de que é isso mesmo o que acontece, deve ser para eu não os interpretar como procuro fazer com o que vivo quando velo. Mas será que estou não estou dormindo agora? Parecia raciocinar como nunca enquanto sonhava; eu sei agora que sonhando vou a lugares e tempos, e são sempre o mesmo, onde e quando tudo acontece.
O que aconteceu foi que conheci aqueles bebês um a um e eram iguais na aparência, embora não exatamente a mesma pessoa. As pessoas que os traziam tinham cada uma um rosto diferente bem definido, mesmo as que eu não sabia ser; apesar disso, de sua aparência e, ao exato contrário dos bebês que traziam, pareciam ser a mesma pessoa, embora tivessem rostos de mulheres e de homens, jovens ou velhas. Eu percebia mais algum sentido oculto nisso, mas somente pude perceber o suficiente quando os bebês falaram pela primeira vez; todos o fizeram ao mesmo tempo, em uníssono, com suas vozes estridentes que agora mesmo parecem ainda ecoar na minha mente dizendo:
"Tem o coração seus motivos?
Então agora eu sei o que muito daquilo quis dizer, no sonho e no resto do dia. Algumas pessoas para as quais minha mente se voltou hoje ao despertar eram traídos e outras traidores, e no sonho todas eram pessoas traídas que conheço. Entendi cada sensação deste dia, da minha vida toda, dos momentos com você e, sobretudo, àquilo que você disse e não disse ao telefone, todos os casamentos, inclusive o nosso. Talvez o bebê fosse eu mesmo, já que eu sonhava, mas podia ser cada possibilidade morta de você e eu trazermos à luz um novo ser. E por quê?
A pergunta que eles me fizeram já responde isto. Eu sei que você me traiu.
E assim o que acontece é que tudo se acaba, nada mais importando entre nós. Você fez o que fez, sem me contar nada do que está acontecendo. Não sei como, quando, com quem ou de que forma foi; se foi bom ou ruim, fácil ou difícil, se gostou ou não. Aconteceu, não há retorno. Sinto que foi hoje, talvez enquanto escrevo isto, agora. Você terá tido motivos que não sei responder. É impossível não te perguntar e é tudo o que nós ainda queremos saber, eu e o sonho que tive.
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15 de junho de 2007
A Necrofilia da Arte
Amedeo Modigliani
Jim Morrison
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Guillaume Apollinaire
Gustave Doré
Henri Beyle (Sthendal)
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François Truffaut
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Gérard de Nerval
. Frédéric Chopin
. Jean-Paul Sartre & Simone de Beauvoir
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Heinrich Heine
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Charles Baudelaire
Honoré de Balzac
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Edgar Degas
.Émile Zola
.Jean De La Fontaine
.Oscar Wilde
. Julio Cortázar
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Soneto Velado
No início era a treva analfabeta
Superada já nasce a vanguarda futura
É passado o tempo da ampulheta
Jaz no mim dos centos tal literatura
Necrópole ou biotério?
Morra pela hipérbole!
Biotério ou necrópole?
Viva pelo cemitério!
Viuvez menos marmórea seria matar
Frieza mais letárgica será enterrar
Morbidez menos mortal seria profanar
Certeza mais incorpórea será ressuscitar
Palidez menos trágica seria assombrar
Beleza mais abismal será epitafiar
11 de junho de 2007
Europa, Uma Constatação

Andando sobre bolhas
Abandono a pele por onde passo
Caminho de bronze no zênite da vida
De colo até riso trip ululante
Flano pueril por entraves espiralados
Logram largados lugares alegres
A guia calçada me passeia
A minha paixão não tira férias:
É a falta que as figuras que me faltam fazem
Q: “Para que tanta perna, meu Deus?”
A: “Para teus olhos fatigados, com o Diabo!”
Ninfas com faunos sorriem em riso
Há efebos, bofes e suas fobias
Falo para xoxotas da saudade da língua
Com sofismas, sofreres e filosofias
Um reingresso ao impagável
Pois farra pois fiesta pois folie
O gênio que continua a florescer
Um som flameja rubro sobre tamancos
Baixa gastronomia sob bandeiras geriátricas
Hashish, shamon, belladonas
O vinho é da casa, novinho, saca?
Alfândegas barram pândegas
Toreio turistas, jovem viajor
Cartão postal com cartão de crédito
Ao inferno se vai de Porche®
Vespa® não águia e Puma® não lobo em Zooropa
A.D.I.D.A.S.®: All Day I Dream About Sex
Gitanes® e Galoises®, todos os teores
Você pode se enfrasquecer num Chanel® n° 5
O sorvete sem seguro que seguro sorve-te
Porto é uma ressaca sempre por recomeçar
Lisboa é mesmo um peso na memória
Madrid é uma puta que se deixa beijar
Barcelona é uma festa exclusiva para penetras
Paris é a luz que nunca brilha nas necrópoles
Veneza é um labirinto de fedores mascarados
Florença é o berço da divina decadência
Roma é um discípulo que não supera o mestre
Meninos acordeonistas me ninam
Da música de outrora quase muda na aurora
Pombas atentadas explodem-se por migalhas
Faceiras e zumbis ou fascistas e zombeteiras
Diz-me o busto no belvedere do parque:
“Interroga tuas respostas...”
Portugueses minuciosos não sem alguma nostalgia
Portuguesas irritadiças praticantes do pudor
Espanhóis cafonas de narizes amigáveis
Espanholas de conversas picantes e pouca leitura
Franceses orgulhosos com seus pães nos dentes
Francesas bacharéis em soberba sem bunda
Italianos de riso fácil e orelhas cabeludas
Italianas cansadas de moda e seios grandes
Há que ser tua Arquitetura
Tende à ação esta estação de trem
Jardinagem já nadir agem
Não ria das pessoas na hospedaria
Ria esta tua estatuária
Douro e Tejo quão duros e tesos
Manzanares sob manzaneros aires
Beijos obrigatórios entre Llobregat e Bèsos
Nova onda há no Sena de cinema
Livre no ar tanto no Arno como no Tibre
Carnevale que flui do Gran Canale
O Velho Mundo primaveril
Perpassam pasmas pelos mapas
Douro, Lisboa, Madrid, Cataluña
Île-de-France, Toscana, Veneto, Lazio
Reencandescismento do que é brasil
Ascende-se ao Alpha à torre ferrenha
Circuncisa-se impreciso o circo em pane
Catedrais para deuses de ouro e mármore
Hipócritas cruzes sob confiáveis pára-raios
Replica-me a máquina: salvando Europa...
Reporto velhas novidades
Coisa curiosa, feliz e boa
Freguês derradeiro bar selo na embriaguês
Mad ri eu de tudo aquilo
Pari surreal um aborto
Vê nessa miragem
Flor que me convença
Quero mais!
Memórias de alguns eus que ficam
Parolo com meus ancestrais na rua
Grafo fotos grifo fico fatográfico
Ninguém conhece o europeu que leio andando
Com as mões serve antes
Rebele eis ali que eres
Arborescente em floreio me planto folheando
Regurgita tão somente verborragias
Esta minha e nossa língua mordida
Não descrevo mas desescrevo assim
A dedurar boinas ruins de moles
Uns filmes que rodei que me mostram
Lusitanias, castelhices, merovinginadas, romanessências
Umas fotos que tirei que me revelam
Aporto, libo, medro, embarco, paro, venero, floreio, rumo
Uns versos que fiz que me declamam
A demolir ruína boas de durar
8 de junho de 2007
14 de maio de 2007
12 de maio de 2007
soneto de longe
uma vontade de morrer de tão feliz
procuro saber o quê de quem amo então
e sem uma notícia tiro ouro do nariz
não só há em cada rua e ponte e escada, parisienses
lógico sem me perder guio-me apaixonado e flano
sonho com menos covardia em outros continentes
se sabes de algo, cala, e não haverá nenhum dano
da vida sem filtro que trago eu fumo os sumos
dos sentimentos que espero, nem inverdade
da morte que urge em suma vejo novos rumos
da morte que escapo como da banalidade
do entrépido trago urgente, ufanos fumos
da vida em cuja busca achei a felicidade
27 de abril de 2007
20 de abril de 2007
DICOTOMIA
Ouvir o caos sem qualquer proporção
Esquecer com uma memória seletiva
Ignorar estas outras idades sem razão
Tantos ideais de amor em tempos de cólera
Quantas idéias de paz em tempos de guerra
Tanta a paz que o nosso amor demais tolera
Quanto amor mais para termos paz na Terra?
17 de abril de 2007
A Vinda do Parafuso
São Paulo num século XXI, sábado à noite d.C. Por que pizza? Por que não?
Telefonei, delivery portanto. Meia marguerita; meia portuguesa. E assim foi.
Já chegou... abra, abra... vamos comer! E na primeira mordida Deus criou a dor.
Derrepentemente em meio ao queijo derretido em frente; você não adivinha.
Todos me olhavam curiosos acerca do achado. Um cabelo? Não. Um parafuso!
Os comensais boquiabertos perderam a fome e pousaram seus pedaços nos pratos;
expressando as emoções súbitas de suas almas nas mais variadas interjeições.
O objeto tinha não menos que uns cinco centímetros, escuro e meio enferrujado,
diâmetro razoável; retirei-o ainda sujo de massa para o espanto da audiência.
Em meio ao incômodo que sentia nos dentes, ainda cheguei a rir-me da situação.
Aí depositei-o num guardanapo e repeti o movimento de discar para a pizzaria.
“Por favor, o gerente... quero fazer uma reclamação” disse eu à atendente. E então:
“Eu sou um cliente de vocês, servido em casa ou aí mesmo, há algum tempo;
Alguns instantes atrás recebi uma pizza com um ingrediente mais que indigesto.”
Um cabelo? Pior. Um pelo? (ele já tinha alguma experiência para essas situações)
Não, senhor... um parafuso! Tal e qual e tal descrevi-o. E ele: Mas que absurdo!
Pois não é? Veja o senhor que quase quebro um dente, podia mesmo tê-lo engolido...
Por acaso não estariam com a cozinha em reforma? Pagam bem o pizzaiolo?
Ele pode ter perdido um parafuso... ou terá sido o senhor? Não me dirá que é meu!
O senhor e eu concordaremos que não há nada de engraçado numa matéria jornalística s
obre isto causar no público o esperado demasiado riso, que logo se torna calúnia.
Oh, mas é claro... – ele parecia mesmo amedrontado – ...vou te enviar outra de imediato.
Sem custo algum, espero... Ah, sim, obviamente... Com a devolução do dinheiro até...
Ah, evidente, senhor... não se preocupe... não vai se repetir... por favor, desculpe-nos...
Eu agradeço pela atenção, senhor gerente. Afinal foi mais que tudo um belo susto.
Mas eu me esqueci de perguntar teu nome... É Henry James, senhor, para lhe servir.
14 de abril de 2007
Poemar
Águas profundas em versos superficiaisEnchente sublunar só um caos sem plural
Só lares vêem as visitas dos etéreos cais
Consoante o planeta terra a vista da nau
~
Mar ritmos rimam marulhos lógicos ecos espaciais
Terrena palavra que jazz submersa no temporal
Liquefeitos dominós dessas ondas iguais
~
Cara vela se há paga singular na linha horizontal
Navegas em voga de vagas nas fragas vogais
Ilude lúdico e diluído o idílico dilúvio dual
Mastigação (como o que sou)
19 de março de 2007
Diminua o diâmetro do teu círculo social







