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16 de junho de 2008

Eu, os Poetas

Tudo o que escrevo pode ser lido
Como meu manual de instruções
Minha bíblia mesmo sem sentido
Uma autobiografia e suas ficções
Esse meu diário louco e colorido

De poesia e amor e liberdade
Estou escrito neles, bons ou maus
Poetas somos uma coletividade
Que sozinho me reúno em saraus
E sou minha própria plêiade

27 de maio de 2008

I'm in English

Tenho traduzido alguns poemas meus para o inglês; eis em que se transformou o "A Meta Mor... (Fit Alter Et Idem)", publicado originalmente como http://naofiquesao.blogspot.com/2006/01/meta-mor-fit-alter-et-idem.html neste blog, em 05 de janeiro de 2006:

Alter Et Idem

The volatile bird recites the soluble fish
And then suddenly every scripture
Tells the history of any literature

The unintelligents are eligible
In the untranslatable universality
Ismisms even so preferables
Than the great indigestible banality

Library that always keeps illiteracy
As the worst labyrinth is a straight line in the end
In the lonely lectures since infancy
To become another and the same is a trend

I gaze the double error in a mental mirror
Alter me a little as we both are reflected
And I is another from me disconnected

23 de maio de 2008

Sem Preamar

Não busco pureza
Direciono uma energia
Através da beleza
Recrio-me com alegria

Uma luz me protege
À minha sombra agiganta
É daqui que emerge
Sem palavras me encanta

Quero velar o céu principal
Conto só com fazer canoas
No que ninguém verá o mal

Intenções querem ser boas
O que nos parece impessoal
Não sou bom com pessoas

21 de maio de 2008

Tormental


um octaédrico polvo de nanquim com angulosas ventosas flexíveis se revira pelo avesso e com oito tentáculos tenta cálculos boiando nas espumas do papel onde conheço bem aquela peça que é o dramaturgo com seus redivivos espasmos em demiurgos reflexos nos sete mares se temores e mortes que decuplicam o céu que se precipita sobre um molock moribundo mor de noite e de norte a sul se suicida até as margens e rodapés de praia e página que a vela qual farol de ébrios leitores à deriva no tempo e espaço insanos como torre que são com relógio e bandeira e janelas fechadas a que de onda as sondas abarcam sem esperança escafandrista ou tormentas de mar e mótuos na alba atroz da destruição em seus fumos de nau frágil estilhaçada no atol de ilhas palavras iodadas que roca maior como rei atlântida no azul submarino do núcleo em alto martirizar os prósperos sereiais de cantos e horas de areia sem com ventos a.a. soprar cascos chagados de cruz-maltados etílicos corsários adivinhos do porto advindos com cardumes de mandíbulas nadadoras a rodear o sangue cheirando a ouro negro na calmaria coagulada da procela marinada de oceano e tudo mais que pretobrás num fechar e abrir de olhos de cara de cabeça de bacalhau se puder pescar

12 de maio de 2008

Senso Sentido

(...) incerto do valor do que escrevo
(...) o estilo me causa horror.
Artaud
*
Vejo eu-me? Em ver indicio-me em pesadelos
por entre pêlos nos olhos paralelos
de todos os mundanos guarda-sóis amarelos.

De de Chirico as bananas suicidam Werther &
Lotte estupra-se com maria-mole e vela o sono dos pais.
Cardumes de cupidos náufragos são
alvelejados por pelicanos cegos,
em meio à significativas paisagens que abrem os olhos a dizer
:
- Olha lá! É um banheiro perseverando no próprio orgasmo... com interesse, som de descargas cobrindo putas mudas. Vasos inquebráveis por orifícios sinceros remetem cartas marcadas de soluços e cinzentos berros. São matilhas de coalhada seca a chupar sarnas de crianças-sereia, desembocam na Rua Sem Nome, s/n. As fachadas rococó do rouco cu dos restauros coloniais, notáveis feições fodidas do Velho Incontinente que postula silogismos de bosta como microorganismos para meu terceiro rubrolho chagado de hemorróidas. Dos bolsos rasgados de minha sombra em ruína, vêm ruídos de relógios e arcos de violino, chuva de conta-gotas de faz de chuva absoluta sobre cadáveres sabotados, todos os selos rompidos pelo pêndulo que oscila entre desengano e solidão.

E, no entanto, é uma aposta
essa bosta de refeitório: sou uma posta de peixe
no canto do meu prato, o velório do peixe
com aquele canto, mas turba oratório,

sem mais tempo de amar, dado
que fetos híbridos de feras recorrentes sanguíneas
amaciam os órgãos da minha alma ausente, retilínea.
Era um vez, meus quinze minutos e Inês.

*

Pelas duas sinistras mãos direitas
de Romiéri & Aleph Davis,
irmãos em Lautreámont.
Na sexta rotação de maio, MMVIII.

20 de abril de 2008

Clique Nervoso

O meu photolog, "POSES", está atualizado...
A foto não é fato
O quadro venda
A cor opina mais
O instante é pose
A raça um animal
O céu dá choque
A anestesia já dói
O retrato-ouvido
A mulher-bomba
O choro regional
A reta um gancho
O destino é aqui
A doença se cura
O close é cópula
A lente ensinou
O foco é dentro
A mídia um fim
O instante revela
A sombra cobre
O mesmo é outro

17 de abril de 2008

Com Siderações

eis que o conto bluseiro, um CÉU da boca para fora de órbita daqui / o CÉU, ele fica me olhando de cima, um buraco negro no dente da frente / desentendemo-nos e trocamos pancadas de chuva e trovoadas esparsas / ele me faz ver estrelinhas, mas deixei-lhe a abóbada acamada de ozônio / espaço infinito de tempo depois, eis que me reaparece, dentre nuvens / fez-me saber que de DIA lhe amputam a NOITE, e notei que mancava / o SOL viu tudo, sentado no horizonte com o cu na mão, aquele laranja / e eu que suspeitava de esquizofrenia, quando era hermafroditismo / o DIA ficou meio dia, a NOITE ficou meia noite, e ficaram por isso mesmo / ele me visita diariamente, mais ou menos caloroso, dependendo do clima / mesmo com nebulosas idéias fixas, ele pode ser bem alegre e colorido / a NOITE ficou muito minha amiga, apesar de ser algo misteriosa e sombria / ela me explicou que é tímida por ainda exibir tantas estrelas no rosto / vaidosa, mantém o ébano breu da tez fazendo bronzeamento artificial / um vai dormir cedo, a outra acorda tarde, e nunca rola um tête-à-tête / precisei fazer análise para aceitar, três vezes por semana no mundo da LUA / paira ainda o muito em comum que os dois têm, o mesmo ar aéreo / uma certa ambígua cor celestial naquele etéreo astro lábio firmamento / de tanto eu falar de um para o outro, ficaram na maior fissura de se ver / fiquei sendo o garoto de recados por um tempo, mas não dava mais / agora dou uma de médium encarnando de dia a NOITE e de noite o DIA / aí não preciso nem falar mais nada, é sempre com fuso, a maior putaria / estou há muito tempo acordado, enormes olheiras, os horários trocados / mas felizmente sempre passa por aqui um PSICOTRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

Psicotrópico de Capricórnio

Trago no peito um bagulho telúrico daqui mesmo ou de logo ali pulmão do imundo que me dá um ar de preguiça alegre e brisa cheia de verde primário e qualquer outra remota kombinação em que viajo barbado pela ficção cabeluda para onde aponta meu nariz legal posto que achato e não saco à distância da velocidade ou direção que minha poética antiética em pó no espelho da razão cheira a branco total que nem sei do que estava falando no pico da conversa que na larica eu via láctea que tanto fazia frango com salmonela ou salmão com frangonela eu como você que me lê sim não mele minha diversão de versinhos chapados nas oras bolas à toas que eu fumo sim e estou vivendo que não fumar é um vício como qualquer outro e se tenho o hábito é por me religar com o divino que nunca atende com medo dos homens mas sou eu quem ligo então a tendência é a tender e ele me traz mais e fico ligado nisso assim que desde que soube que celular não causa câncer que tento cachimbar o aparelhinho pelas antenas e é um alto barato com um sonzinho ambiente com que me toco mais do tempo que perco longevo em cada minuto que me ultrapassa um caminhão com fundo falso no tráfico da auto-estrada do auto-conhecimento de este lado oeste lado percorro na contramão amarela skafedendo-me para dentro do interior até a fronteira para onde emigra o sol brasil.

13 de abril de 2008

Profecia N° 2

Prevejo teu um destino
Caminhos se vão bifurcar
Teu futuro eu eu vaticino
Edito para te acre ditar

Videntes na tua boca
Bem sombrios no céu
Era uma escrita este lar
Numa língua de ponta
Na morada dôo culto

Se de horóscopos és fã
Inevitável é esta profecia
Você vai morrer amanhã
Se for ler isto todo dia

Prestidigitação

30 de março de 2008

Resultado da Entrevista

AGORA ACHO QUE DEUS EXISTE 
E QUE "REPROVADO!" É UM DOS SEUS NOMES. 

QUE ASSIM SEJA.

21 de março de 2008

Remetente Desconhecido

Borderland, 30 de fevereiro de 2967.

Caro, Destinatário

Envio em anexo a esta missiva um envelope selado para tua resposta, em breve.

Ocorre que não me tens respondido, motivo pelo qual me sinto decepcionado e, não se surpreenda, o tom das minhas palavras pode mesmo acusar alguma irritação, além, naturalmente, de acusar você.

Desde que te conheci não escondo minha obsessiva admiração irrestrita por ti; também é sabido que nisso nunca fui correspondido. Às vezes cogito o disparaste de ser possível que você não se lembre mais de mim. Seria isto possível? Acharia absurdo.

Enquanto estávamos próximos um do outro, o mesmo não se operou. Assim, tenho inúmeras boas recordações das sensações que compartilhamos juntos, momentos de completa empatia e absoluta compreensão mútua. E uma vez que nos afastamos, tento a partir de então travar contato contigo, me reaproximar estreitando os laços de uma relação outrora promissora e agora etérea, mas não tenho tido réplica. Ages como se mal me conhecesses, com desprezo e até com desdém. Ignoro sinceramente o motivo.

Não houvesse os meios contemporâneos de saber da tua vida, de acompanhar cada passo que você dá sem saber que estou em teu encalço, eu poderia até mesmo ficar preocupado com a tua saúde e segurança que os tempos andam cada vez mais civilizados e igualmente violentos. Dessa forma, sei não haver qualquer fato externo que te proíba de me responder às cartas, e qualquer motivação interna estaria em completa discordância com aquilo que me fizestes pensar de você, o que dissestes pensar sobre mim e o tanto que nos queremos bem. Estimo-te demais, confesso até que te amo.

Configura-se um mistério total para mim a razão de tamanha ingrata desfeita. Está parecendo falsidade o que apreendo da tua estranha conduta. Julgo-te por omissão.

A par da realidade, estou desesperado por me ver impedido de realizar meus devaneios quanto a ti. Vejo-me impedido de satisfazer plenamente instintos e desejos. Minha alma sofre por ter chegado ao limite de suas forças. Por estas razões você pode considerar o conteúdo desta correspondência como uma clara e direta ameaça de morte. Pode parecer perverso, mas recorrerei a todos os meios para ter você de novo.

Esta é a última carta que te escrevo até que me escrevas uma carta de volta. Decidi-me e estou irredutível quanto a te fazer saber que você não pode viver sem mim.

Digo-te afinal o que me digo quando diante do espelho não sou bastante sincero: aquilo que és finge. Aguardo a tua resposta, você sabe o endereço. Caso eu não receba até amanhã a tua carta, irei atrás de ti; então, caso pense em não me escrever ou mesmo não pense em me escrever de maneira alguma, fuja! Escreva-me ou devoro-te.

Apaixonadamente,
do teu Borderline.


16 de março de 2008

Mirações

Levanto minha carne de caveira da cama me preparando para existir de novo, mas me demovo da idéia ao perceber que sonho algum se realizará. Visto-me de vida-mente e passo mal na cintura, o sinto de couro. Vomito uma serpente que vomita um sapo que vomita uma mosca que vomita em cima do que vai comer. Tomo um trem de desjejum e ensaio para fora da peça em que vivo me representando ao vivo, ao morto, ao papel de parede que me derem. Onde chego me dá trabalho que não chega me espreguiçar, com todos os meus artifícios e orifícios meu ofício é alendaquem lê de supervisor de vendas evidente, cuido para que as vendas tapem direitinho os olhos de todos e vejo que com visa se negrocia mais à vista. Tenha fé que ora de almoço chegou e estou com nome grande em fome de Deus. Oro? Devo! Devoro... volto e me revolto com o diacho do chefe demônio que acho que me possui pandemônio senhor das minhas horas por dia, fodia o diabo que oca regue; eme de mito. O dom da poesia fernando as pessoas comuns é como uma borboleta que pousa em suas cabeças, fazendo deles mais ridículos quanto mais bela ela for. Ela a flor o bom da profecia ingente que não cansa de nos assegurar mundos implausíveis. Apogeu gráfico descoordenado no imundo que faz a pena: um atlas, e sobre ele pesa um microcomputador de última geração; irmanando-se no castigo prometeu-me cauterizar a zona hepática. O doutor e a filha afiada me fia e enfia a faca de vagar por aí para pro-curar-me do desaprego, parafuso horário que cai de cabeça e quase me atraso para a última composição do trem que me aparte mea culpa que prevejo meia furada meia mussarela e retorno a tornar para minha casa rasa de porta e janela da percepçãopaulo onde tenho ações de mirar. Arrota rei depois, que agora banque tear, antes ri sonho. Será? Não sei, São Nei. Faço um acordo e estou acordado.

10 de março de 2008

Cinemaginário

Desde a última Mostra de SP eu praticamente não tenho ido ao cinema. Então, ao invés de imaginar como seriam os filmes disponíveis para assistir, me propus inventar filmes imaginários que eu gostaria de poder ver. São, em sua maioria, sinopses de obras cinematográficas ficcionais de ficção.
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# Péssimo / * Ruim / ** Regular / *** Bom / **** Ótimo / S Sem Avaliação



A Nuvem Branca [**]
(Pâthragâda) Irã, 2005. Direção: Farroukh Makhmalbaf. Com: Forough Panahi, Hassan Yektapanah e Jafar Farrokhzad.
Após passar anos em expedição fotográfica na Antártica, mulher cega decide voltar para sua cidade natal, no Irã, onde precisa enfrentar fantasmas metafóricos de seu passado. 189 min. 14 anos.

&

Longa Jornada Jack Adentro [***]
(Long Day's Journey Into Jack) EUA, 1999. Direção: Woody Allen. Com: Diane Keaton, Faye Dunaway, Mia Farrow e Arnold Schwarzenegger.
Tragédia freudiana sobre um lutador de luta livre com sotaque engraçado que se desvencilha dos duros treinos físicos diários e troca sua mulher, uma ambientalista de quadris demasiado estreitos, por sua psicanalista mais velha praticante de yoga, com a qual irá pouco a pouco descobrindo a prazerosa técnica conhecida como autofellatio. Montagem levemente baseada na peça de Eugene O’Neill. 132 min. 14 anos.

&


Merdas Acontecem [****]
(Merde, Allors!) França, 1966. Direção: Jacques Tati. Com: Alain Delon, Gérard Depardieu e Pierre Verger.
Clássico pós-Nouvelle Vague dirigido por um de seus inspiradores. Etnógrafo francês volta do Brasil como pai de santo e, incorporando Napoleão Bonaparte, planeja dominar a Europa a começar pela Argélia, mas seus planos esbarram na chegada dos Beatles para um aguardado show em Paris. Oscar de Melhor Fotografia com trilha original de Henry Mancini. 110 min. 12 anos.

&

Memórias Sentimentais do Meu Clitóris [#]
(Idem) Brasil/Dinamarca, 1990. Direção: Hebe Camargo e Renato Aragão. Com: Rita Cadillac, Jô Soares, Gretchen, Fernanda Montenegro, Alexandre Frota, Marcello Mastroianni e grande elenco.
Drama familiar passado em Brasília nos anos 70. Durante um desfile militar do Sete de Setembro, o ministro da defesa se atrasa por ter de fazer o parto de uma cadeirante dentro de um táxi preso no trânsito, a coisa então degringola para um estupro coletivo e logo é carnaval. Esse traumático flashback termina com o taxista já idoso num manicômio contando-o ao psiquiatra de plantão, que vem a compor o júri popular que decidirá no tribunal se deve ou não condenar o monarca Dom Pedro. 314 min. 18 anos.

&

O Fóssil de Deus [****]
(Il Fossile di Dio) Itália/Azerbaijão/Bélgica/Angola, 1953. Direção: Luc Van Damme. Com: Nelson Mandela, Svetlana Kasparov, Zé do Caixão e Jean-Paul Belmondo.
Clássico de Van Damme (não o lutador, mas o pai dele) em cópia restaurada. Um inconseqüente alcoólatra inglês em visita à savana africana, durante conflito tribal encontra um túnel que o leva até Jerusalém, onde um míssil abre um túnel para o Tibet, achando em um pico de lá outro túnel até o Vaticano, lá uma constipação leva-o a se converter para gás natural. O diabo assiste a tudo, narrando em português de Portugal as profecias do convertido sobre o futuro da Bolívia com Evo Morales. 112 min. 10 anos.

&

Os Mil Monóculos no Testamento do Doutor Jogador [****]
(Die Tausend Monocles in der Testament des Dr. Spieler) Alemanha, 1961. Direção: Fritz Lang. Com: Boris Karloff, Jean Marais, Werner Krauss e Rudolf Klein-Rogge.
O espírito auto-destrutivo do Dr. Mabuse retorna nesse último filme de Lang que se achava estar perdido, trazendo as últimas imagens do ator Klein-Rogge. O doentio doutor ressurge para possuir as mentes dos famosos criminosos Fu Manchu, Dr. Caligari e Fantômas, que juntos disseminam o mal que destruirá todo o mundo para Mabuse afinal poder reinar absoluto sobre suas cinzas. 119 min. 14 anos.

&

Feijoada Tatuada II [**]
(Idem) Brasil, 2006. Direção: Arnaldo Baptista. Com: Timothy Leary, Rita Lee, Serguei, Elke Maravilha e Syd Barret Cover.
Segunda incursão do músico na 7ª arte, o documentário segue os passos do aclamado filme anterior, em que através do olhar de um porquinho da índia drogado com LSD de origem suspeita, conhecemos as dificuldades de cognição e relacionamento dos moradores de uma comunidade na Serra da Cantareira, em SP, até a chegada inesperada de uma misteriosa surda-muda. 126 min. 16 anos.

&

O Fim Está Só No Começo [**]
(最终只是在开始) China, 2005. Direção: Zhangye Ye. Com: Chowchow Li, Tang Dlaranja e Quentin Tarantino.
Comédia sobre dois irmãos, um é um monge Shaolin com relação incestuosa com o pai, o outro, um cego que finge enxergar ao vender yakisoba nas ruas de Pequim. Tudo vai bem até que a gripe asiática os leva ao Cirque du Soleil onde um mágico impotente ensina-lhes uma comovente lição de vida. 132 min. 16 anos.

&

O Auto dos Anões [S]
(Idem) Brasil/Japão, 2007. Direção: Maria das Graças Xuxa Meneghel e Akira Kurosawa. Com: Nelson Ned, Toshiro Mifune, Ariano Suassuna e Romário.
Várias confusões marcam as provas de fim de ano no curso supletivo na republiqueta de Nanópolis, em meios a aulas tediosas de Educação Moral e Cívica, merenda escolar estragada e grupos de estudo bem maconheiros, vemos se repetirem as tentativas do baixinho/gnomo conhecido como Mei Apataca para ser aprovado, ora colando dos colegas mais baixos, ora propondo fazer sexo oral no professor nissei. 120 min. 16 anos.

&

O Soviete de Petrogrado [***]
(Вся власть советам) URSS, 1922. Direção: Sergei Eisenstein
Em fevereiro de 1917, antes da Revolução Vermelha, uma série de reuniões e passeatas violentas acontecem no Dia Internacional das Mulheres, nada de novo até então, exceto pelos cossacos, símbolos do terror czarista que, ao invés de as reprimir, ficam cossando. 72 min. 12 anos.

&

O Espartilho do Saxofonista [****]
(Sexy Dr. Sax) EUA, 2004. Direção: Bill Clinton. Com: Jackie Chan, Paris Hilton, Wynton Marsalis e Marianne Faithfull.
Em Las Vegas, acompanhamos o conturbado cotidiano de um imigrante ilegal chinês tentando alcançar a fama ao improvisar seu jazz em prostíbulos para transexuais. Até que um dia o fantasma do pai de Hamlet aparece para ele, aconselhando-o a tatuar os dois braços com os desenhos eróticos de Rodin, pois em breve terá as pernas amputadas com um raro abridor de latas retorcido que Uri Geller ganhou do Papa durante a Guerra Fria; profecia que, uma vez cumprida, não por acaso lhe trará dores lancinantes e celebridade imediata. 118 min. 18 anos.



22 de fevereiro de 2008

Vivamos!


De volta do inferno, pus fim na minha "Fase Preta" e aí estou nova a mente depois de três meses de luto lutando contra o vazio e o Nada, o branco do papel. Acinzentei-me um pouquinho mas ainda poderei ser reconhecido; estou me reacostumando a recomeçar do zero. Muitas lágrimas e cinzas depois, estou mais uma vez convosco. O photolog também já está atualizado. Precisei beber, ler e namorar muita Poesia, viajar e jogar um sem número de partidas de xadrez com ela. Prometo não publicar aqui as centenas de páginas escritas nesse meio tempo sob signo e supervisão de Thanatos, sigo assim entremeando verborragias velhas com náuseas novas; saudando o novo ano e os velhos leitores: vivamos!

15 de novembro de 2007

Vórtice

A câmera preta quadrada inicialmente nos mostra pelas suas lentes redondas comuns uma grande esfera cromada, ocupando quase toda a enorme tela quadrada preta, o centro da grande esfera cromada coincidindo com o canto inferior esquerdo da enorme tela quadrada preta. De repente uma mediana cônica nave espacial cromada cai perpendicular ao centro da enorme tela quadrada preta, aterrisando de bico sobre a grande esfera cromada. Na mediana nave cônica cromada de repente abre-se uma pequena porta cromada redonda, de onde sai um astronauta comum de roupa espacial cromada. O astronauta comum tem um pequenino cromado capacete esférico, ele pisa na grande esfera cromada em meio à enorme tela quadrada preta, vistos por nós através da câmera preta quadrada com suas lentes redondas comuns.

As lentes redondas comuns da câmera preta quadrada agora nos revelam na enorme tela quadrada preta, não sabemos se com mais ou menos zoom, o seguinte: a grande esfera cromada vista em sua totalidade e, sobre ela, ainda menor a pequena porta esférica redonda aberta na mediana nave cônica cromada e o astronauta comum de roupa espacial cromada, visto da cintura para cima. Ele leva as duas mãos comuns ao seu pequenino cromado capacete esférico, com intenção de retirá-lo de sua cabeça comum; mas ao mesmo tempo vemos as suas mesmas mãos comuns serem levadas à grande esfera cromada sobre a qual o astronauta comum e a sua mediana cônica nave espacial cromada está fincada com a sua pequena porta cromada aberta; tudo em meio à enorme tela quadrada preta, vistos com espanto por nós através das lentes redondas comuns da câmera preta quadrada.

A enorme tela preta quadrada finalmente nos revela através da câmera preta quadrada com lentes redondas comuns que, como antes igualmente sem sabermos se após mais ou menos zoom, está em sua roupa espacial cromada o astronauta comum visto já de corpo inteiro. Ele e sua mediana cônica nave espacial cromada de pequena porta redonda aberta estão sobre a grande esfera cromada ou estão sobre o seu próprio pequenino capacete esférico cromado? Parece-nos na enorme tela quadrada preta que ele está sobre ambos simultaneamente. Mas agora, com o seu pequenino capacete esférico cromado entre as suas mãos comuns, o astronauta comum nos aparece com sua cabeça e rosto comuns descobertos, revelando-nos através das lentes redondas comuns da câmera preta quadrada, uma calvície comum. Ficamos espantados em como o próprio astronauta comum nos parece espantado ao perceber por seus olhos comuns no seu rosto comum essa calvície comum, sobre a sua cabeça comum, vista por ele nele mesmo, segurando com mãos comuns o pequenino capacete esférico cromado que é a grande esfera cromada sobre a qual está sendo visto com nossos olhos esféricos comuns.

6 de novembro de 2007

A Mulher Que Eu Quero


Na cama que escolherei
Eu lá sou o amigo que tenho?
Quero ir-me embora com a mulher do rei!


Com uma mão, isto; com a outra, aquilo; e com a outra...

A fenda indiscreta do vestido,
deixando a minha mão percorrer-lhe
toda a extensão da perna ao longo
de um beijo; uma perna tão comprida
que só terminava sob a axila.

Assim o seio esquerdo; assaz o outro; e ainda o terceiro...

É outra concepção...
Todo um processo seguro
de impedir a civilização!

1 de novembro de 2007

Sofismas, Fantasmas e Filosofemas


saber é mais profundo
é um verso e é uma razão
não me interessa a verdade
para triunfar no mundo
não é mister justiça e retidão
mas prudência e habilidade

purifico as opiniões de zombeteiros
malabarista de argumentos tangíveis
mais verosímeis do que verdadeiros
mais sedutores do que plausíveis

creio na dedução a posteriori
creio na experiência a priori
atleta em combate verbalístico
eu sou um diletante didático

os poemas de Horácio são abismais
mas de leituras filosóficas superficiais
o poema de Parmênides é de alta filosofia
mas muito limitado enquanto poesia

em que reside a minha translucidez
se pela navalha de occam não tenho inclinação
é que só intuo ao escrever o que lês
leio o mundo como vontade e representação

estou certo de que me convenço
apenas pelo efeito psicológico
não pela correção de raciocínio
diverso do mais comum senso
tão nitidamente epistemológico
perspectivismo algo curvilíneo

29 de outubro de 2007

Hipermetropia Nacional Brasileira (N + 7)

Aprecio e uso muito a chamada "escrita constrangida"; na qual o autor se propõe uma certa condição de dificuldade ou experimento para inventar uma obra literária. O tal "N+7" trata-se de um constrangimento onde se troca em um texto qualquer substantivo pelo sétimo substantivo listado após ele no dicionário; assim, eis o que consegui com um dicionário Michaelis de bolso e o Hino Nacional Brasileiro:
Ouviram da Íris os marimachos plácidos de uma praga heróica o bramido retumbante, e o solapador da Libido, em rajás fúlgidos, brilhou no chacal da patriotada nessa instintividade. Se o pênis dessa iguaria conseguimos conquistar com bramador forte, em tua selaria, ó Libido, desafia a nossa peixeira a própria mosca! Ó Patriotada amada, Idolatrada, Salve! Salve! Bravateiro, um sonoplasta intenso, um rajá vívido de amoreiral e de espermatozóide ao terremoto desce, se em teu formoso chacal risonho e límpido à imanização do Cubismo resplandece. Ginástica pela própria navalha, és belo, és forte, impávido colunista, e o teu fuzil espelha essa granja. Terremoto adorado entre outros milharais, és tu, Bravateiro, ó Patriotada amada! Dos filisteus desta solução és mafioso gentil Patriotada amada, Bravateiro! Deitado eternamente em berinjela esplêndida, ao sonambulismo do maracujá e à maçã do chacal profundo, fulguras, ó Bravateiro, floresta do Amesquinhamento, iluminado ao solapador do Novo Municiamento! Do que o terremoto mais garrido tuas risonhas lindas canas têm mais floreios; "Nossos botes têm mais vídeo-game", "Nosso vídeo-game" na tua selaria "mais amoreirais". Ó Patriotada amada, Idolatrada Salve! Salve! Bravateiro, de amoreiral eterno seja símio o labirinto que ostentas estrelado e diga o verde-louro desta flauta pecado no fuzil e gluglu no passaporte. Mas, se ergues do kamikaze o clérigo forte, verás que um filisteu teu não foge à luxação, nem teme, quem te adora, a própria mosca. Terremoto adorado entre outros milharais, és tu, Bravateiro, ó Patriotada amada! Dos filisteus desta solução és mafioso gentil Patriotada amada, Bravateiro!