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Poeta e ficcionista paulistano nascido em 1979, é autor do Livro Ruído (Eucleia Editora, 2011), publicado em Portugal, e das Ficções paralelas e Visões para lê-las, iluminadas por Yuli Yamagata. Traduziu Natureza, de Ralph Waldo Emerson, e Caminhada, de Henry David Thoreau (Dracaena, 2010). Seus blogues Não Fique São e Transatravés, que permanecem no ar, somam mais de 130 mil visitas.

Estudou Publicidade, História e Jornalismo. Foi operador de atendimento, agente de leitura e apresentador de televisão; agora atua como factótum de texto: redator, revisor, tradutor e consultor editorial. Mora em Sorocaba-SP, onde trabalha em casa, na Felina Oficina, afagando Lira, sua gata, e produzindo os espetáculos e vídeos de dança contemporânea de Mimi Naoi, sua esposa, com quem também mantém o projeto Fôlego, com performances nas quais recita poesia para ela dançar. Em seu perfil e página no Facebook, pratica o colunismo antissocial e publica seus textos e traduções.

Tem poemas publicados nas revistas Mallarmargens, onde é colaborador, e também nas revistas CronópiosTriploV, Germina7faces, BrasilianaDiversos Afins, Ellenismos, Raimundo, Macondo, Aedoscuritibanos, Oficina.Casulo e Pó&Teias, e nas antologias AsfaltoVinagre e Poema de Mil Faces

15 de novembro de 2007

Vórtice

A câmera preta quadrada inicialmente nos mostra pelas suas lentes redondas comuns uma grande esfera cromada, ocupando quase toda a enorme tela quadrada preta, o centro da grande esfera cromada coincidindo com o canto inferior esquerdo da enorme tela quadrada preta. De repente uma mediana cônica nave espacial cromada cai perpendicular ao centro da enorme tela quadrada preta, aterrisando de bico sobre a grande esfera cromada. Na mediana nave cônica cromada de repente abre-se uma pequena porta cromada redonda, de onde sai um astronauta comum de roupa espacial cromada. O astronauta comum tem um pequenino cromado capacete esférico, ele pisa na grande esfera cromada em meio à enorme tela quadrada preta, vistos por nós através da câmera preta quadrada com suas lentes redondas comuns.

As lentes redondas comuns da câmera preta quadrada agora nos revelam na enorme tela quadrada preta, não sabemos se com mais ou menos zoom, o seguinte: a grande esfera cromada vista em sua totalidade e, sobre ela, ainda menor a pequena porta esférica redonda aberta na mediana nave cônica cromada e o astronauta comum de roupa espacial cromada, visto da cintura para cima. Ele leva as duas mãos comuns ao seu pequenino cromado capacete esférico, com intenção de retirá-lo de sua cabeça comum; mas ao mesmo tempo vemos as suas mesmas mãos comuns serem levadas à grande esfera cromada sobre a qual o astronauta comum e a sua mediana cônica nave espacial cromada está fincada com a sua pequena porta cromada aberta; tudo em meio à enorme tela quadrada preta, vistos com espanto por nós através das lentes redondas comuns da câmera preta quadrada.

A enorme tela preta quadrada finalmente nos revela através da câmera preta quadrada com lentes redondas comuns que, como antes igualmente sem sabermos se após mais ou menos zoom, está em sua roupa espacial cromada o astronauta comum visto já de corpo inteiro. Ele e sua mediana cônica nave espacial cromada de pequena porta redonda aberta estão sobre a grande esfera cromada ou estão sobre o seu próprio pequenino capacete esférico cromado? Parece-nos na enorme tela quadrada preta que ele está sobre ambos simultaneamente. Mas agora, com o seu pequenino capacete esférico cromado entre as suas mãos comuns, o astronauta comum nos aparece com sua cabeça e rosto comuns descobertos, revelando-nos através das lentes redondas comuns da câmera preta quadrada, uma calvície comum. Ficamos espantados em como o próprio astronauta comum nos parece espantado ao perceber por seus olhos comuns no seu rosto comum essa calvície comum, sobre a sua cabeça comum, vista por ele nele mesmo, segurando com mãos comuns o pequenino capacete esférico cromado que é a grande esfera cromada sobre a qual está sendo visto com nossos olhos esféricos comuns.

6 de novembro de 2007

A Mulher Que Eu Quero


Na cama que escolherei
Eu lá sou o amigo que tenho?
Quero ir-me embora com a mulher do rei!


Com uma mão, isto; com a outra, aquilo; e com a outra...

A fenda indiscreta do vestido,
deixando a minha mão percorrer-lhe
toda a extensão da perna ao longo
de um beijo; uma perna tão comprida
que só terminava sob a axila.

Assim o seio esquerdo; assaz o outro; e ainda o terceiro...

É outra concepção...
Todo um processo seguro
de impedir a civilização!

1 de novembro de 2007

Sofismas, Fantasmas e Filosofemas


saber é mais profundo
é um verso e é uma razão
não me interessa a verdade
para triunfar no mundo
não é mister justiça e retidão
mas prudência e habilidade

purifico as opiniões de zombeteiros
malabarista de argumentos tangíveis
mais verosímeis do que verdadeiros
mais sedutores do que plausíveis

creio na dedução a posteriori
creio na experiência a priori
atleta em combate verbalístico
eu sou um diletante didático

os poemas de Horácio são abismais
mas de leituras filosóficas superficiais
o poema de Parmênides é de alta filosofia
mas muito limitado enquanto poesia

em que reside a minha translucidez
se pela navalha de occam não tenho inclinação
é que só intuo ao escrever o que lês
leio o mundo como vontade e representação

estou certo de que me convenço
apenas pelo efeito psicológico
não pela correção de raciocínio
diverso do mais comum senso
tão nitidamente epistemológico
perspectivismo algo curvilíneo