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Poeta e ficcionista paulistano nascido em 1979, é autor do Livro Ruído (Eucleia Editora, 2011), publicado em Portugal, e das Ficções paralelas e Visões para lê-las, iluminadas por Yuli Yamagata. Traduziu Natureza, de Ralph Waldo Emerson, e Caminhada, de Henry David Thoreau (Dracaena, 2010). Seus blogues Não Fique São e Transatravés, que permanecem no ar, somam mais de 130 mil visitas.

Estudou Publicidade, História e Jornalismo. Foi operador de atendimento, agente de leitura e apresentador de televisão; agora atua como factótum de texto: redator, revisor, tradutor e consultor editorial. Mora em Sorocaba-SP, onde trabalha em casa, na Felina Oficina, afagando Lira, sua gata, e produzindo os espetáculos e vídeos de dança contemporânea de Mimi Naoi, sua esposa, com quem também mantém o projeto Fôlego, com performances nas quais recita poesia para ela dançar. Em seu perfil e página no Facebook, pratica o colunismo antissocial e publica seus textos e traduções.

Tem poemas publicados nas revistas Mallarmargens, onde é colaborador, e também nas revistas CronópiosTriploV, Germina7faces, BrasilianaDiversos Afins, Ellenismos, Raimundo, Macondo, Aedoscuritibanos, Oficina.Casulo e Pó&Teias, e nas antologias AsfaltoVinagre e Poema de Mil Faces

30 de setembro de 2008

I was a teenage headbanger

Confesso: eu já fui um entusiasta do heavy metal. Embora nunca tenha me considerado exatamente um “metaleiro”, preciso dizer que já fui um headbanger, purista do chamado rock pauleira, como ainda se dizia no fim do século passado; gostava de música rápida e pesada, barulhenta e agressiva. Ia mesmo para o “bate-cabeça”, e assim caminhava a adolescência.

Com a mesma empolgação, eu era capaz de pular e me descabelar ao som ora de Metallica, Sepultura, Iron Maiden, Dream Theater, Slayer, Pantera e congêneres; ora de Ramones, Sex Pistols, The Clash, Buzzcocks, The Jam, Dead Kennedys e companhia. Mas em algum momento passei a pender mais para os últimos e seus derivados, punks em geral, proto-punks, post-punks, hardcores, grunges, britpops e “alternatives”. Tudo isso sem deixar de lado os clássicos, Chuck Berry, Little Richards, Beatles, Stones, Doors, Hendrix, The Who, Black Sabbath, Led Zeppelin e afins... Bem, em se tratando de rock, eu gostava de coisas variadas. Depois fui abrindo mais o leque para reggae, blues, folk, soul, funk e jazz; e daí a bossa nova, o samba, o choro, o forró, o maracatu; também de tango e fado, hoje gosto até de música eletrônica, música caipira e música erudita. Ok... gosto de quase todos os estilos, mas o negócio era que, embora nunca tenha chegado a me desvincular completamente do estilo, o fato é que mandei o coitado do metal para o fim da lista.

Sem pretender negar que de fato reneguei por muito tempo ao heavy metal em geral, por motivos até mesmo idiotas, é preciso dizer que o estilo de fato está datado hoje em dia, meio sem saída ao não conseguir se renovar ou sequer repetir seus melhores desempenhos. Isso para mim vinha se traduzindo em um completo enjôo por ter de ouvir nova e repetidamente sempre à mesma mera ínfima dúzia boa de coisas velhas que conseguiram resistir ao tempo. Estou falando de um tipo de música que padece de não contar com boas gravações desde 1994, quando já há alguns anos dava sinais de franca decadência.

O motivo de eu estar escrevendo este emblemático texto é o seguinte: Death Magnetic, o novo album do Metallica. Trata-se de um banda que já foi a minha preferida dentre as mais pesadas; um ícone do thrash metal, para ser mais preciso, o que quer dizer que eles não dispensam influências punk via hardcore, no que também justifico minha predileção. Lançaram este mês este seu nono album de estúdio, o melhor desde o homônimo Metallica de 1991, ou mesmo desde ...And Justice For All, de 1988. Dada a qualidade inquestionável dos seus primeiros trabalhos gravados desde 1981, o Metallica sempre causava uma espectativa imensa em todos aqueles que, como eu, adorariam fazer as pazes com o estilo; mas o que vinha acontecendo é justamente o contrário, uma nova frustração a cada novo lançamento. Eu, particularmente, ao ouvir os últimos albuns, ficava sempre a me sentir como o Charlie Brown, caído por terra a ver o céu girar, tendo meu chute passado batido pela bola de football que, malignamente, era sacada fora por Lucy no último instante. O mesmo não se pode dizer desse Death Magnetic. Fiz o download e gravei em CD, aí programei um volume alto o suficiente para não ouvir ninguém reclamar do volume.

O album é puro Metallica, o mais old school possível, back to the basics. Todas as dez faixas são extravagâncias com duração entre cinco e dez minutos, ilimitadas variações de acordes e mudanças de tempo, com centenas de musculosos riffs em staccato, longos e super rápidos solos de guitarra com muita distorção, contrabaixo funqueado e percussivo, bateria octópode ora ignorante ora precisa, letras soturnas e boa dicção nos vocais graves gritados a la Godzilla. A escala é imensa, o nível de detalhes absurdo. Há muito peso e velocidade aqui, e na maior parte desses mini-épicos eu tive aquela impressão maluca de estar numa montanha russa no escuro; os refrões e melodias insanos não me saem da cabeça, ainda atordoada; ouço diariamente e me sinto ótimo com esta sensação estranhamente familiar, de novo completamente conectado com meu adolescente interior.

24 de setembro de 2008

Abismonolito

eu me abismo ao refazer-te caber dentro de mim, que ato contínuo me embala e em mim se contém. já não sei deslembrar; qualqueria-nos por torperto. homem almar, parado oxido a caixa ao redor do gato; eu me contradoeço e te procuro; breve mais, em logo, água-arde; monolíptico-tico no kung fu baía de todos; tango amarelo com negro pestanejar, objeto tigrado, o x é o coração do problema de servos versus servos; e saído do azul, ressuscitarei mais forte para dentro da miragem de ramada dos teus olhares ex-feéricos.

10 de setembro de 2008

Apocalypse (Now?!)

É fato que a humanidade gasta milhões de dólares para descobrir novos métodos de se matar. Vi uma frase que exemplifica bem isso: “Para matar uma formiga, uma simples pisada basta. Mas as vezes é mais garantido matá-la com uma britadeira-pneumática... além de ser mais legal”.

Seguindo essa máxima, os cientistas pretendem testar hoje, às 2h30 da manhã (no horário de Brasília, ou seja, daqui a cinco minutos) a maior máquina já construída pelo homem, para realizar a maior experiência já feita na história, o Large Hadron Collider (LHC). Agora o caro leitor e a querida leitora me perguntam: Mas o que diabos é um “Large Hadron Collider”? Resposta: É o maior acelerador de partículas subatômicas já feito, ou seja, a maior Arma de Destruição em Massa do mundo.

Essa geringonça, um túnel circular de 27km de circunferência enterrado a 100 metros de profundidade entre a França e Suíça, será usada por cientistas de mais de 50 países (incluindo o nosso) para, literalmente, brincar de trombar essas partículas a velocidades inacreditáveis. Tudo levou 14 anos para ser construído, ao custo de mais de 8 bilhões de dólares; o objetivo da ambiciosa empreitada é reproduzir em cativeiro o assim chamado Big Bang, ocorrido a 13,7 bilhões de anos, para, entre outras coisas, provar que ele ocorreu. A força que resultará da “trombada” será inacreditavelmente grande, cerca de 14 TeV. Eu não sei exemplificar quanto vale 14 TeV, mas, considerando que tem gente se borrando com medo de dar alguma merda, a quantidade de energia deve ser absurdamente ignorante. Tanto é verdade, que há uma pequenina probabilidade de, quando eles ligarem o LHC e o túnel de bate-bate de partículas subatômicas funcionar, os cientistas criarem um buraco negro que engoliria a Suiça, a Europa, o planeta Terra e por fim o universo.

Mas essa é uma probabilidade pequena. Nota mental: Rezar para que Murphy esteja de férias… em outra dimensão. Neste momento, se Deus existe, deve estar meio paranóico conosco, com o cu na mão mesmo diante da possibilidade de um ataque terrorista dessa proporção; em analogia com o 11 de setembro, podemos ser passageiros da espaçonave Terra-01, tripulada por 6721 bilhões de homens-bomba.

Lendo sobre o assunto, pude encontar algumas teorias catastrofistas tão impressionantes que vale a pena colocar aqui: Vamos imaginar que o LHC dê errado. Quais serão as conseqüências?

Buraco negro: Expliquei anteriormente. Sugaria tudo o que encontrasse pela frente, ficando cada vez maior e sugando cada vez mais coisas, cada vez mais rápido. Ou seja. Um liquidificador do mau.

Iniciar uma transição para um diferente estado de vácuo quântico - Esse vou explicar com a seguinte analogia: Imagine uma bolha de sabão no vácuo e que dentro dessa bolha de sabão está esse nosso cantinho do Universo e que essa coisa absurda esteja em equilíbrio estável. Agora, imagine uma agulha gigante estourando a bolha. LHC = Agulha Gigante.

Produção de uma Fenda Interdimensional - Essa fenda poderia trazer criaturas de outras dimensões para a nossa. Isso pode não ser inteiramente ruim, pois 0,0032% das criaturas interdimensionais são boazinhas. Portanto podemos ter essa sorte e não acabar sendo destruidos por uma raça interdimensional!

Dores de cabeça: É provável que você sinta dores de cabeça, mas, lendo os 3 itens acima, esse será o menor dos seus problemas….

Se aqui no Brasil chegarmos a ver nascer o Sol neste dia 10/09/08 (sugestivamente, a data já parece contagem regressiva), não fiquem tranqüilos ainda, pois este terá sido só o primeiro dos cinco testes que serão realizados até o próximo dia 21, cada um deles liberando mais energia do que o anterior. Como falta pouco tempo para o evento começar, vou tomar de uma gole minha taça de vinho e, ato contínuo, ir para a cama onde minha mulher dorme agora sem saber que morreremos fodidos, porém fodendo. Recomendo que nos próximos dias todos se abstenham de tudo o que não interessa, o que poderia continuar valendo mesmo se nada de pior nos acometer.

Agora, pergunte: Não pode ser tão perigoso assim, pode? Resposta: Sim e não. Não, porque os cientistas garantiram que a probabilidade é tão pequena que vale a pena tentar. E sim… exatamente porque os cientistas garantiram que a probabilidade é tão pequena que vale a pena tentar. Se há um inferno, encontro vocês lá!

8 de setembro de 2008

Louco Meio Livre

- Só pela maneira excêntrica
como olhas toda a confusão
sei que passou por uma instituição psiquiátrica.

- Saiba-te muito bem-vindo
e agora vamos comemorar
que com toda razão esse metamorfosear brindo.

- Pastemos a massa cinzenta
daquelas cabeças diferentes
qual faz a vaca louca que aos dementes alimenta.

- Flanaremos por esta cidade
como num grande hospício
lançando-nos à rua como no precipício liberdade.

- Eu guiar-te-ei pelo binômio
sem muros do nosso íntimo
que afinal podemos ser um no último manicômio.

7 de setembro de 2008

Ensaio de Escola de Pomba

Dado esta porra de feriado nacional, por redobrado infortúnio, em pleno domingo (embora eu há muito tempo não faça nada, dia algum da semana, não faço-o muito bem), trago a público um ensaio fotográfico que fiz no mês passado, quando estive em Brasília. Enquanto cliclava todas aquelas famosas obras arquitetônicas e esculturais modernas, em meio à vastidão do Planalto Central, tomei conhecimento dessa que, desde então, tornou-se a minha obra de arte predileta dentre as de Niemeyer (não porque é a única da capital que efetivamente sirva para alguma coisa), mas pelo inusitado de se ter erguido morada para uma tão insalubre vizinhança, quando todas as demais obras ao redor são ironicamente pintadas de branco. Foi uma cagada, mas linda.


Goethe disse que "Arquitetura é música petrificada"; e eu diria mesmo que esta aqui dava pelo menos algo como um sambinha exaltação a la Pink Floyd.

2 de setembro de 2008

Antonomásia

Vocês que me conhecem sabem
Só eu é que não sei de coisa alguma

De cabeça só os anversos de cara
Ignorantes tarde do que nuca

Quem sou eu para onde venho?
Eu sou quem de onde vou!

Nunca me fundei por ser versado
Consisti sempre em versificar quieto

Não serei mais um gênio incompreendido
Fui um gênio obrigado por de nada ter entendido