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Poeta e ficcionista paulistano nascido em 1979, é autor do Livro Ruído (Eucleia Editora, 2011), publicado em Portugal, e das Ficções paralelas e Visões para lê-las, iluminadas por Yuli Yamagata. Traduziu Natureza, de Ralph Waldo Emerson, e Caminhada, de Henry David Thoreau (Dracaena, 2010). Seus blogues Não Fique São e Transatravés, que permanecem no ar, somam mais de 130 mil visitas.

Estudou Publicidade, História e Jornalismo. Foi operador de atendimento, agente de leitura e apresentador de televisão; agora atua como factótum de texto: redator, revisor, tradutor e consultor editorial. Mora em Sorocaba-SP, onde trabalha em casa, na Felina Oficina, afagando Lira, sua gata, e produzindo os espetáculos e vídeos de dança contemporânea de Mimi Naoi, sua esposa, com quem também mantém o projeto Fôlego, com performances nas quais recita poesia para ela dançar. Em seu perfil e página no Facebook, pratica o colunismo antissocial e publica seus textos e traduções.

Tem poemas publicados nas revistas Mallarmargens, onde é colaborador, e também nas revistas CronópiosTriploV, Germina7faces, BrasilianaDiversos Afins, Ellenismos, Raimundo, Macondo, Aedoscuritibanos, Oficina.Casulo e Pó&Teias, e nas antologias AsfaltoVinagre e Poema de Mil Faces

31 de agosto de 2010

La Niña (Burn, Brazil, Burn)

Há umas reféns desse céu de agosto com bolhas de asfalto nas rótulas da alameda necropolitana
na cidadezinha do estado temperado.


Há a baixa umidade relativa do ar
com que o sol inferniza o chão e o que quer que sobre sobre
como meteorologistas profetizam.


Há sons secos em todos os cantos
das gargantas daquelas que regam a cruz com garrafas PET
e é novena o nome que se chama.


Há redemoinhos de fogo pela roça
enquanto a indiazinha reza por já não poder ser Gene Kelly
mas a chuva mesmo ainda não há. 


27 de agosto de 2010

Autocanibalismo moderado



Devoro as translúcidas horas vãs
como estas minhas unhas de fome

Devoro em desaprumo as calçadas
como estas unhas de um pé direito

Devoro precipitadas jacas moles
como os próprios pés de enfiada

Devoro os erógenos temperos
como mesmo as bolas do saco

Devoro as paisagísticas propagandas
como estes olhos que aterra um dia

Devoro as míticas terras prometeicas
como um fígado e fígado um monte

Devoro tudo o que nada pelas bordas
como a boca-a-boca de água na boca