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Poeta e ficcionista paulistano nascido em 1979, é autor do Livro Ruído (Eucleia Editora, 2011), publicado em Portugal, e das Ficções paralelas e Visões para lê-las, iluminadas por Yuli Yamagata. Traduziu Natureza, de Ralph Waldo Emerson, e Caminhada, de Henry David Thoreau (Dracaena, 2010). Seus blogues Não Fique São e Transatravés, que permanecem no ar, somam mais de 130 mil visitas.

Estudou Publicidade, História e Jornalismo. Foi operador de atendimento, agente de leitura e apresentador de televisão; agora atua como factótum de texto: redator, revisor, tradutor e consultor editorial. Mora em Sorocaba-SP, onde trabalha em casa, na Felina Oficina, afagando Lira, sua gata, e produzindo os espetáculos e vídeos de dança contemporânea de Mimi Naoi, sua esposa, com quem também mantém o projeto Fôlego, com performances nas quais recita poesia para ela dançar. Em seu perfil e página no Facebook, pratica o colunismo antissocial e publica seus textos e traduções.

Tem poemas publicados nas revistas Mallarmargens, onde é colaborador, e também nas revistas CronópiosTriploV, Germina7faces, BrasilianaDiversos Afins, Ellenismos, Raimundo, Macondo, Aedoscuritibanos, Oficina.Casulo e Pó&Teias, e nas antologias AsfaltoVinagre e Poema de Mil Faces

17 de outubro de 2006

Ler ou não ler

Oscar Wilde, citando alguns exemplos, nos informa que os livros podem ser muito comodamente divididos em três classes, a saber:
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Os livros que se devem ler;
Os livros que se devem reler;
Os livros que não se devem ler nunca.
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Comenta ainda que a terceira classe (todos os livros de argumentação e todos aqueles em que se tenciona provar alguma coisa) é, de muito, a mais importante. Dizer às pessoas o que devem ler é geralmente inútil ou prejudicial, porque a apreciação da literatura é questão de temperamento e não de ensino. Não existe nenhum manual do aprendiz do Parnaso, e nada do que se pode aprender por meio do ensino vale a pena aprender-se.
Ainda segundo o autor, dizer às pessoas o que não devem ler é coisa muito importante. Realmente é uma das necessidades que se deixam sentir, sobretudo quando se lê tanto, que já não se tem tempo de admirar, e quando se escreve tanto, que já não se tem tempo de pensar.
Ele termina com uma proposta. Quem escolher no caos de nossa literatura os CEM PIORES LIVROS e publicar a lista deles, fará um verdadeiro e eterno favor às gerações futuras.
Eu então gostaria de propor aqui exatamente o mesmo, desejando a participação de todas e todos, valendo tudo, incluindo o meu NãO FiQuE SãO ou até mesmo qualquer livro de Oscar Wilde. Eis a minha lista:
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Os sofrimentos do jovem Werther (Goethe), O profeta (Gibran), A mulher de trinta anos (Balzac), A ressurreição (Tolstói), Para ser caluniado (Verlaine), Inferno (Strindberg), Os conquistadores (Verne), O morro dos ventos uivantes (Bronte), O clube dos suicidas (Stevenson), Pigmalião (Shaw), A mão direita (Soljenitsin), O imoralista (Gide), Haxixe (Benjamin), O apanhador no campo de centeio (Salinger), A volta do parafuso (James), Diários (Nijinski), A conseqüencia (Ziegler), O primeiro terço (Cassidy), O livro dos sonhos (Kerouac), Lenz (Schneider), A erva do diabo (Castaneda), Por quem os sinos dobram? (Hemingway), O som e a fúria (Falkner), Misto quente (Bukowski), Autobiografia precoce (Evtuchenko), Mephisto (K. Mann), Eram os deuses astronautas? (Däniken), Textos malditos (Pacheco), O desejo pego pelo rabo (Picasso), O diabo no corpo (Radiguet), O outro lado da meia noite (Sheldon), Ninguém é de ninguém (Gaspareto), Alta Fidelidade (Hornby), Kaos (Mautner), Crônicas de motel (Shepard), 13 (Townsend), O buda do subúrbio (Kureishi), Entre o sexo a loucura e a morte (J. A. Pinto), O sorriso do lagarto (J. U. Ribeiro), Depois do sol (I. L. Brandão)As pessoas dos livros (F. Young), As brumas de Ávalon (Bradley), O homem que matou Getúlio Vargas (Soares), Fliperama com creme (T. Coelho), Confissões de um comedor de xis (J. P. Goulart), Operação cavalo de Tróia (Benitez), O clube dos corações solitários (Takeda), De peito aberto (Romaní), Scum manifesto (Solanas), Diário de um mago (P. Coelho), Blecaute (M. R. Paiva).

Falar

Mamá mamãe
Papá papai
~
Óia o auau
De gatinhas
~
Dandá nenê
Passeá
De carrinho
~
Naná bebê
Arrotá
De carinho
~
Sem sonhá com bixo
Cresce sem medo
Fala comigo
Pa-ra-le-le-pí-pe-do

10 de outubro de 2006

Anniversary gift

Teardrops birthday
With greatest love flavor
In her happiness I stay
The only gift she's looking for
+ + +
The first piece of cake that bites me
And every plural ANA has an eye on this
Just because just like her, herself and she
I'm still twenty six years old already she is

8 de outubro de 2006

Do que mais tenho medo

1 De ler todos os livros interessantes
2 De encontrar algo ou alguém que valha a pena idolatrar
3 De ter de passar um final de semana sem cigarros
4 De acabar engravidando alguém que não amo
5 De acabar não cedendo a uma tentação
6 De encarar o olhar de José Aggripino de Paula
7 De uma música ruim não me sair mais da cabeça
8 De contar uma mentira muito bem sucedida
9 De a ciência descobrir a cura para o suicídio
10 De me deixar dominar por uma cota mensal de dinheiro
11 De alcançar satisfação sexual mais do que momentânea
12 De chegar de fato a ter o Mal de Auzheimer
13 De depois de morto descobrir que alguma religião estava correta
14 De continuar sendo um heterossexual para sempre
15 De finalmente conseguir tomar um LSD

Do que mais gosto

1 De reler o livro que mais gosto e perceber que não tinha entendido
2 De viajar de carro velho para bem longe
3 De ter o colo escolhido por um gato para se deitar
4 De reparar num dejà vú num dia tedioso
5 De macarrão à bolonhesa com carne assada, pão e vinho
6 De faltar ao trabalho tirando a quarta-feira de folga
7 De acordar bem tendo ido dormir com dor de cabeça
8 De ver um arco-íris diluído numa mancha de óleo na rua
9 De ouvir no rádio uma música que me faz relembrar o passado
10 De fumar um cigarro enquanto assisto alguém fumar num filme
11 De cutucar dolorosamente uma boa pereba no joelho
12 De mudar os móveis de lugar rearrumando um cômodo
13 De ver uma mulher sensual dançar se exibindo para mim
14 De me apaixonar à primeira vista por alguém que eu já conhecia
15 De notar o intervalo de tempo entre a imagem e o som dum trovão