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Poeta e ficcionista paulistano nascido em 1979, é autor do Livro Ruído (Eucleia Editora, 2011), publicado em Portugal, e das Ficções paralelas e Visões para lê-las, iluminadas por Yuli Yamagata. Traduziu Natureza, de Ralph Waldo Emerson, e Caminhada, de Henry David Thoreau (Dracaena, 2010). Seus blogues Não Fique São e Transatravés, que permanecem no ar, somam mais de 130 mil visitas.

Estudou Publicidade, História e Jornalismo. Foi operador de atendimento, agente de leitura e apresentador de televisão; agora atua como factótum de texto: redator, revisor, tradutor e consultor editorial. Mora em Sorocaba-SP, onde trabalha em casa, na Felina Oficina, afagando Lira, sua gata, e produzindo os espetáculos e vídeos de dança contemporânea de Mimi Naoi, sua esposa, com quem também mantém o projeto Fôlego, com performances nas quais recita poesia para ela dançar. Em seu perfil e página no Facebook, pratica o colunismo antissocial e publica seus textos e traduções.

Tem poemas publicados nas revistas Mallarmargens, onde é colaborador, e também nas revistas CronópiosTriploV, Germina7faces, BrasilianaDiversos Afins, Ellenismos, Raimundo, Macondo, Aedoscuritibanos, Oficina.Casulo e Pó&Teias, e nas antologias AsfaltoVinagre e Poema de Mil Faces

9 de dezembro de 2006

Duchamp e/ou Arte

Um respeitável cidadão francês tentou destruir com marteladas a obra de arte de Marcel Duchamp, exatamente aquela mais conhecida e que mais contribuiu para a fama do autor. Trata-se do mictório feito de louça branca que Duchamp colocou dentro de um museu.
Marcel Duchamp é, antes de tudo, um iconoclasta. Durante todo o tempo dedicou-se a destruir conceitos e a negar o estabelecido, às vezes com ações espalhafatosas, buscando renovar a arte e as formas de pensar. Se Duchamp pode, o cidadão francês de 77 anos também julgou poder destruir conceitos e declarou que as marteladas eram apenas uma intervenção artística e que seu trabalho seria aprovado por Duchamp. É muito possível. O que Marcel Duchamp desejava dizer quando colocou o urinol no museu? Não desejava, decerto, estabelecer novas verdades e conceitos; desejava exatamente questionar a validade dos conceitos e colocar a possibilidade de haver arte em qualquer objeto, desde que assim seja considerado. ...Difícil estabelecer um limite a partir do qual chega-se ou ultrapassa-se o exagero. O fato é que Duchamp contribuiu para o infindável debate entre o que é e o que não é arte. O homem do martelo também pode ser considerado assim. Por que não? Ele já havia mijado na mesma peça em uma exposição anterior e isso mostra que alguma coisa o provocava no tal mictório. Acabou sendo preso mas é certo que muitos artistas considerados geniais e revolucionários foram também completamente incompreendidos.

Duchamp quis "... transformar todas as pequenas manifestações externas de energia, em excesso ou desperdiçadas, como por exemplo... o crescimento dos cabelos ou das unhas, a queda da urina ou das fezes, os movimentos impulsivos do medo, do assombro, do riso, a queda da lágrima, os gestos da mãos, o olhar frio, o ronco ao se dormir, a ejaculação, o vômito, o desmaio, etc".