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Poeta e ficcionista paulistano nascido em 1979, é autor do Livro Ruído (Eucleia Editora, 2011), publicado em Portugal, e das Ficções paralelas e Visões para lê-las, iluminadas por Yuli Yamagata. Traduziu Natureza, de Ralph Waldo Emerson, e Caminhada, de Henry David Thoreau (Dracaena, 2010). Seus blogues Não Fique São e Transatravés, que permanecem no ar, somam mais de 130 mil visitas.

Estudou Publicidade, História e Jornalismo. Foi operador de atendimento, agente de leitura e apresentador de televisão; agora atua como factótum de texto: redator, revisor, tradutor e consultor editorial. Mora em Sorocaba-SP, onde trabalha em casa, na Felina Oficina, afagando Lira, sua gata, e produzindo os espetáculos e vídeos de dança contemporânea de Mimi Naoi, sua esposa, com quem também mantém o projeto Fôlego, com performances nas quais recita poesia para ela dançar. Em seu perfil e página no Facebook, pratica o colunismo antissocial e publica seus textos e traduções.

Tem poemas publicados nas revistas Mallarmargens, onde é colaborador, e também nas revistas CronópiosTriploV, Germina7faces, BrasilianaDiversos Afins, Ellenismos, Raimundo, Macondo, Aedoscuritibanos, Oficina.Casulo e Pó&Teias, e nas antologias AsfaltoVinagre e Poema de Mil Faces

8 de julho de 2008

Fosfenas

Ressaca de arte e vinho tinto, o sono preto, sol dó si mi ré lá, no sofá. Coltrane ama supremo o diabo do deus que espremo. Telas sem moldura ou silêncio, quadro a quadro; basta um verniz para ser feliz. Participo da amizade também. Vomito que não omito o mito. Bom dia domingo! Miríade mira de fotografia no ato do vácuo. Dormindo a cor dado de pé em durado nos passos a ribanceira arriba. Rob in son mach ado! Pão chapado em que embarco achocoladrado. Moro com outras pessoas, lá na Poesia. Desabotôo a camisa e desabo tonto na caminha. Sonho que durmo de novo e não me demovo do lugar por horas bolas a frio. A cor do acordo que me acorda é a massa, a que sugo, desdenho, repasto, não como o mesmo, mas outro, a mesma. Reclino-me mais e não declino do que deliro. Refino os olhos em fosfenas semi-acordadas que me regiram aleatórias nos entressaias pela porta que bate mil vezes zero badaladas. Caio em mim, o que não dura. Há luz e pirilampeja. Lágrima-chá pisca-pisca e redivivo me embalo cuidado de camomila. Na-morada o recomeço da água em mim; ela me trata, me re-hidrata, e como que volto revoltoso e devoto. Holofote de olor forte me desnorteia para Pseu do Sul. Do recôncavo deitado vejo por entre franjas de coberta uma tela noventa graus mais horária: liquidifica-se doido de ver verde à meia luz da alcova redemoinhada. Estou mais do que estômago, tonto e mago, quedo. E a bagunça jagunça pinguça é dentro, no cerne o descaminho. Rodo pio a íris nada e colagem de ar e ia reme lenta que rápida mente mal-me-quer a lado entre um e outro excerto que erro. Hiroshima depois daqueles oito beijos e meio meu amor. Babel legendada. Comumicônico, adoeço à razão do corpo enquanto tino me expira peremptório. A glande paixão da minha vida me exterihorroriza e jaculatórias revisões do futuro em aberto em plano fechado. Halo cine. Escovo os vinte e oito dentes e tomo banho sentado. Desanoiteço e não muito sedo. Ensaio um fora. Teletransbordo-me para cá onde não chego o bastante. Basculo ósculos que de texto e paranormalizo a tarde onde começo a medir e vir. Depois é só fumar bastante e comer morangos, mandar pinacotecas por e-mail e seguir cabisbaixo para uma aula de raciocínio lógico: se a Terra é quadrada, a Lua é triangular. Quiçá haverá sexo e não sono, letargia mais letal. E só há a possibilidade de eu ainda querer mais. Outra vês?

OUTRO MESMO ANTES DA RESSACA
BY ROBINSON MACHADO EM: