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Poeta e ficcionista paulistano nascido em 1979, é autor do Livro Ruído (Eucleia Editora, 2011), publicado em Portugal, e das Ficções paralelas e Visões para lê-las, iluminadas por Yuli Yamagata. Traduziu Natureza, de Ralph Waldo Emerson, e Caminhada, de Henry David Thoreau (Dracaena, 2010). Seus blogues Não Fique São e Transatravés, que permanecem no ar, somam mais de 130 mil visitas.

Estudou Publicidade, História e Jornalismo. Foi operador de atendimento, agente de leitura e apresentador de televisão; agora atua como factótum de texto: redator, revisor, tradutor e consultor editorial. Mora em Sorocaba-SP, onde trabalha em casa, na Felina Oficina, afagando Lira, sua gata, e produzindo os espetáculos e vídeos de dança contemporânea de Mimi Naoi, sua esposa, com quem também mantém o projeto Fôlego, com performances nas quais recita poesia para ela dançar. Em seu perfil e página no Facebook, pratica o colunismo antissocial e publica seus textos e traduções.

Tem poemas publicados nas revistas Mallarmargens, onde é colaborador, e também nas revistas CronópiosTriploV, Germina7faces, BrasilianaDiversos Afins, Ellenismos, Raimundo, Macondo, Aedoscuritibanos, Oficina.Casulo e Pó&Teias, e nas antologias AsfaltoVinagre e Poema de Mil Faces

27 de janeiro de 2010

hágente tevê







há o ópio da opinião
para escutar você sobre você
e sob um discurso falar do que houve
o que é música para quem tem olvido
e meia palavra bosta

televisão não é meio e sim mensagem

e o tempo é tão fugaz no horário nobre
que é preciso pagar para ser
o que na noite não jaz
o que o noticiário traz
o que essa novela tem
mas quando o filme é ruim você se vai
e quando chega ao outro canal se joga
e no outro propaga o negócio da alma
e é um entretenimento
a reprise inédita de todo dia

tarde para se desligar

mas uma hora você quer paz
e certos enroscos errôneos com riscos
dão até vontade de se matar
e ninguém te vê no televisor
e aquém da vida te assistem
o chuvisco chega chiando e te enxerga

você encena a sua vida

o labirinto cenográfico
de melhores momentos
editado em som estéril
as vinte e quatro horas no ar
você é o iluminado e também editado
arquivo morto ao vivo

não mude de canal e seja você mesmo

mas vem a vã premiere
a velha cena triste que ainda funciona
os documentários mais reais que você
e só o ator e a atriz pornô te entendem
e você tem uma noite gozada
e você é a madrugada
e você é ultravioleta quando amanhece
o sono é que te aliena

e o show não deve continuar

mas acorda de antena
e para ver o exclusivo
você não deveria nem piscar
o teu lugar é sentado
a posição mais eficaz
e tendo só um controle remoto sobre si

o nosso você é a programação que faz